março 30, 2008
Salvador, a Roma negra.
Terra de negros tus, turututus e vosmicês!
De bantos, malês e tantos mais.
Onde Caramuru esqueceu o arcabuz para namorar na beira da praia.
Onde os portugueses conheceram as primeiras mulheres que tomavam banho todo dia e que não tinham bigodes!
Das negras bonitas de pernas quentes e torneadas como que recém saídas da forja!
Terra do venha cá, do se achegue.
Da doçura das caldas que encerram pesados repastos.
Do sol que aqui permanece por todo o ano como quem não quer perder nenhum momento.
De todos quanto se digam baianos.
Sem preconceitos, sem condicionais
Você já veio à Bahia?
Não?
Então venha!
Assista abaixo um fragemento do DVD indicado no post de 27/01/2007
Se sua conexão não estiver boa, baixe daqui e assista tudo em seu player!
Se gostar compre o DVD
março 26, 2008
Raízes americanas
Ele recebeu a bola de Rousseau e de dentro de seu psiquismo anarquista gerou muitos textos, dentre eles, o seu best-seller: A Desobediência Civil. Escrito em 1848, é atualíssimo e obrigatório para as mentes libertárias e anarquistas (arkhé vem do grego que significa comando). Influenciou profundamente pessoas como Mahatma Gandhi, Leon Tolstoi, Martin Luther King e tantos outros.Muito à frente de seu tempo, sua defesa do Direito à Rebeldia esteve, desde sempre, a serviço da luta contra todas as formas de discriminação. Lutou contra a escravidão nos EUA, pelos direitos das mulheres, em defesa do meio-ambiente, contra a discriminação étnica e sexual. Como pacifista Radical (indo à Raiz do mal que combate) recusou-se a pagar impostos a um governo autoritário que fazia mais uma guerra predatória na qual roubou mais da metade do território mexicano este ato Radical de Desobediência Civil lhe custou um tempo na cadeia que lhe foi útil a escrever e deixar para a posteridade seus pensamentos muitas vezes, diria mesmo que na maior parte delas, o lutador pelo que é VERDADEIRAMENTE Justo e Perfeito só é reconhecido postumamente após uma vida eivada de dissabores. Questão de escolha. Há aqueles que não compactuam com a injustiça, a prepotência, a arrogância ou o roubo. Há os que se acomodam. Quem se acomoda, em geral, vive melhor mas, como dizia Leonardo Da Vinci, não passam de meros condutores de comida, não deixando rastro algum de sua passagem pelo mundo exceto latrinas cheias..
Thoreau pergunta e você responde:
Quando o súdito nega obediência e quando o funcionário se recusa a aplicar as leis injustas ou simplesmente se demite, está consumada a Revolução�
A tirania da Lei não é abrandada por sua origem majoritária�
Só cada pessoa pode ser juiz de sua própria vida�
Não é suficiente ser deixado em paz por um governo que pratica a corrupção sistemática e cobra impostos para fazer mal a seu próprio povo�
Clique aqui para baixar este curto e explosivo ensaio deste bendito anarquista!
Se entender e gostar, divulgue!
Aqui o verbete Thoreau na Britannica: Clique aqui
Conheça um pouco mais do autor através de sua fraseologia:
- "Eu não tenho dúvidas de que é parte do destino da raça humana, na sua evolução gradual, parar de comer animais, tal como as tribos selvagens deixaram de se comer umas às outras quando entraram em contacto com os mais civilizados." Walden ou A vida no bosque, Capitulo 11
- "A maioria dos homens vivem vidas de silencioso desespero"
- "Que fogo poderia se igualar a um raio de sol num dia de inverno?"
- "Nos dias de hoje existem professores de filosofia, mas não filósofos".
- - Fonte: "Walden"
- "Dêem-me uma selvageria cujo o vislumbre nenhuma civilização consiga suportar."
- "Toda nova geração ridiculariza a moda antiga, mas segue religiosamente a nova."
- "Uma coisa é ser capaz de pintar um quadro especial, ou esculpir uma estátua, produzindo assim objetos de beleza; mas é muito mais glorioso esculpir e pintar a própria atmosfera e a maneira pela qual vemos o mundo. Influir na qualidade do dia - esta é a mais elevada das artes."
- "Se você construiu castelos no ar, não pense que desperdiçou seu trabalho; eles estão onde deveriam estar. Agora construa os alicerces."
- "Quem avança confiante na direção de seus sonhos e se empenha em viver a vida que imaginou para si encontra um sucesso inesperado em seu dia-a-dia."
- "O tempo não passa de um riacho no qual vou pescar."
- "Fazer de todos os dias um bom dia, essa é a mais elevada das artes."
- "É preferível cultivar o respeito ao bem que o respeito pela lei."
- "Estou convencido, pela fé e pela experiência, de que se manter sobre a Terra não é uma provação, mas um passatempo - se vivermos de maneira simples e sábia."
- "Simplicidade, simplicidade, simplicidade! Tenha dois ou três afazeres e não cem ou mil; em vez de um milhão, conte meia dúzia... No meio desse mar agitado da vida civilizada há tantas nuvens, tempestades, areias movediças e mil e um itens a considerar, que o ser humano tem que se orientar - se ele não afundar e definitivamente acabar não fazendo sua parte - por uma técnica simples de previsão, além de ser um grande calculista para ter sucesso. Simplifique, simplifique."
- "O que mais encoraja é a capacidade humana de elevar sua vida por meio do esforço consciente."
- "A bondade é o único investimento que sempre compensa."
- "O melhor governo é aquele que menos governa (...) e quando estivermos preparados para isso, serei a favor de um governo que não governa".
- - Fonte: "Desobediência Civil"
- "Ás vezes, penso: ora, essas pessoas são bem intencionadas, mas são ignorantes."
- - Fonte: "Desobediência Civil"
- "Não brigo com inimigos distantes mas com aqueles que, aqui perto, cooperam com os que estão longe e cumprem suas ordens, e sem os quais os últimos seriam inofensivos."
- - Fonte: "Desobediência Civil"
- "Somos vulgares, incultos e analfabetos; e, em relação a isso, confesso que não faço maiores distinções entre o analfabetismo de meus concidadãos que não aprenderam a ler e o que aprendeu a ler somente aquilo que se destinam às crianças e aos intelectos medíocres."
- - Fonte: "Leituras", extraído de "Walden"
- "Os homens, em sua maioria, aprenderam a ler para satisfazer a uma mesquinha conveniência, assim como aprenderam a calcular a fim de organizarem sua contabilidade e não serem enganados no comércio, mas sabem pouco ou nada a respeito da leitura como um nobre exercício intelectual. Contudo, num sentido elevado, a leitura é exatamente isso, não o que nos acalenta como um luxo e faz adormecer nossos mais nobres sentidos, mas o que nos coloca em alerta e a que dedicamos nossas horas mais intensas."
- - Fonte: "Leituras", extraído de "Walden"
- "Não basta uma informação de como ganhar a vida simplesmente com honestidade e honra, mas que tal ato seja atraente e glorioso, pois se ganhar a vida não for atraente e glorioso não é a vida que se ganha."
- - Fonte: "A Vida Sem Princípios"
- "A comunidade não tem suborno capaz de tentar um homem sensato. É possível levantar dinheiro suficiente para perfurar um túnel numa montanha, mas não é possível levantar dinheiro suficiente para contratar um homem que se ocupe com a sua própria vida. Um homem eficiente e valoroso faz o que pode, quer a comunidade lhe pague ou não. Os ineficientes oferecem a sua ineficiência a quem pagar mais, e sempre anseiam por uma colocação. Seria de se supor que eles raramente ficassem desapontados."
- - Fonte: "A Vida Sem Princípios"
- "Cada pôr-do-sol que vejo me inspira o desejo de partir para um oeste tão distante e belo quanto aquele onde o sol sumiu."
- - Fonte: "Caminhando"
- "Fui à floresta viver de livre vontade, para sugar o tutano da vida. Aniquilar tudo o que não era vida. Para, quando morrer, não descobrir que não vivi."
E agora, prá você que como eu, ficava vagabundando nas tardes de sábado e outras, a semana de aniversário do VídeoShow direto do site da Globo
Video Show aniversário 2ª feira:
3ª feira
4ª feira
5ª feira
6ª feira
março 23, 2008
Inúteis lições
Quem são eles?
Pergunte pro Lawrence da Arábia ou então leia o texto de Robert Fisk para o Independent, traduzido para a Folha
Clicando aqui
Bom Domingo e muito chocolate (Godiva, Lindt ou Jeff de Bruges, é claro!)
março 21, 2008
A chegada da Messias
Depois de uma busca insana, muitas orações, peregrinações a santuários gourmets e insuportáveis penitências eis que de repente, não mais que de repente, num shopping tributário de uma estação de metrô em Istambul, lá estava ela: a cafeteira!Entrei, olhei apalpei e pelo peso do suporte do filtro eu vi que estava diante de um bom produto. A "carroceria" em zinco e alumínio a deixa parecida com uma Mercedes e a luzinha no resevatório de água de paredes azuladas dá vontade de jogar um peixinho lá!
Voltei correndo para o hotel e acessei sofregamente as resenhas especializadas: so elogios!
Compro ou não compro?
Nesta virada de era em que todos os apreciadores de um bom expresso amargam a perspectiva de virarem reféns do Nespresso ou beberem extratos terríveis de máquinas vagabundas, uma máquina com um pré-purge e bomba de 15 bars para pó e sachets não deixa de ser um objeto de desejo.
Mas voltando à Turquia... não tive coragem de comprá-la, me apaixonar e arriscar vê-la chegando quebrada na esteira de bagagem em Salvador; resignei-me a continuar com minha Espresso Crema Wallita que me tem servido cafés honestos e melhores que qualquer outro apesar de sua "bombinha" de 5 bars.
Mas não desisti e continuei buscando nas lojas virtuais algo que agradasse...e nada!
Numa bela tarde de vagabundagem consumista um olhar despretensioso mas altamente treinado encontrou "a" Cafeteira na loja da Cold Air no Shopping Salvador.
Mais barata que na Turquia!
Não pestanejei, aposentei com honras a minha Wallita e entronizei a deusa prateada na minha humilde cozinha.
O espresso?
O espresso é simplesmente M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-O
Recomendo os pós Mellita especial, Astro Bourbon ou Bravo.
Respeite a relação 7 gramas de pó para 35 ml de água prove um néctar divino!
Uma boa dica!
Também pode ser achada na loja paulista Doural que só agora vim a descobrir.
Até logo...
Este final de semana será longo e cafeinado com direito a insônia eletiva!
P.S. Aproveito para desejar a todos uma feliz Páscoa com direito à maior quantidade possível de chocolate de boa qualidade e o menor ganho de peso possível!
P.P.S Creio que o destino tem suas leis mas que às vezes também governe por medidas provisórias!
Acho que tenho sido vítima privilegiada de algumas este ano.
A melhor de todas talvez tenha sido a incorporação súbita de 40 e tantos afinizados intelectualmente, através do convite feito por André e Alan, ao meu círculo de amizades.
Prá toda esta turma que pode eventualmente passar por aqui neste fim-de-semana, um ainda mais especial desejo de boa Páscoa!
Great expectations!
março 19, 2008
BHL na BHía
Bem, estamos no The Day After!Ontem à noite foi inaugurado, para uma impressionante e seletíssima platéia de 1200 interessadíssimos ouvintes, o ciclo de palestras 'FRONTEIRA DO PENSAMENTO" com apresença de Bernard Henry-Levi, também conhecido pelo acrônimo BHL.
Franco-argelino, Bernard é um popstar da filosofia, midiático, performático, idiossincrático, podre de rico (herdou negócios do pai), casado com uma linda mulher e portador de um intelego capaz de encher todo o espaço que eventualmente tenha lhe sido dado e... mais algum!
Um prato cheio para admiradores e detratores!
Sob a sombra do tema proposto, discorreu preliminarmente sobre generalidades indisputáveis, passando às platitudes de sedução para a seguir, depois de elogiar repetidamente o pensamento de Celso Furtado, se apresentar como expert no tema Alicerces Filosóficos da Intelectualidade Mundial no século XX (para o qual imaginei o acrônimo AFIM!) sobre os quais apresentou seus pontos de vista e interpretações de forma BHLevista a saber:
- Singularidade do momento histórico em torno do holocausto judeu na 2ª grande guerra
- Aspectos imunizantes das manifestações de maio de 68 na França
- A revolução Cambodjana (!!!!!) - para surpresa geral! - a língua como ferramenta e maldição!
- O Totalitarismo como um bug ideológico movido pela vontade de curar ("volonté de guèrir") e seus desdobramentos nocivos e contagiosos entre os quais se situaria o fundamentalismo islâmico que, na opinião de BHL, tem nos moderados do Islã e na sua Inteligentsia crítica seu alvo principal e mais imediato.
Sarkozysmos à parte, defendeu-se veementemente o "engajamento" do intelectual como a sua forma (do intelectual) mais especializada de exercício da cidadania.
Para BHL, o intelectual tem como dever partir para a prática midiática denunciando propondo soluções de forma racional, ética e independente a partir dos raciocínios indutivos associados à observação ativa do fenômeno que merece sua intervenção.
A raridade de intelectuais éticos, independentes e racionais foi, no entanto, apenas levemente assinalada!
Uma pletórica performance historiográfica, anêmica, entretanto, em hemoglobina filosófica!
C'est dommage!
Mesmo assim, muito interessante.
A menção apaixonada das guerras esquecidas (les guerres oubliées) terminou, por sua ênfase, criando um enorme contraste com as guerras que não nos permitem esquecer: a questão palestina, por exemplo.
Sabra e Chatilla, nem pensar!
A ausência de abordagem deste tema causou uma perplexidade indevida entre muitos componentes da platéia e, acho, quebrou um pouco o fluxo de empatia com o palestrante.
Ao final da noite tive a impressão de ter ouvido um típico intelectual francês loquaz e articulado mas que infelizmente não me pareceu ser o que pregou como virtudes: racional e ideologicamente independente.
P.S. Na manhã seguinte, entre convidados para um breakfast filosófico, BHL reafirmou pontos da sua palestra da noite anterior e entre didatismos e sinonímias hitchcockianas que utiliza para manter a platéia em suspense antes de emitir suas máximas fechou sua aparição na Bahia com alguns pontos que vão ficar para discussão:
- A caridade é a chama que mantém o sábio
- O fascismo encontra no islã radical sua mais nova fronteira
- A adoção do ateísmo é o maior ato de coragem de um homem
- a imaginação é a característica mais valiosa num intelectual
Bom hã?
Perguntaria apenas quantos dentre os ateus veementemente declarados não seriam apenas buscadores fatigados que tomam a ausência de evidência como evidência de ausência? Quantos não são apenas buscadores que por não saberem o que procuram, simplesmente não reconhecem o que acham?
Steve Wonder nunca viu a lua!
Será que ele acha que ela existe?
Fica aí um pouco de filosobol para noites insones!
Inté
março 15, 2008
Idéias em Transe
Dia 18, número da carta da lua no tarô, a tripla duplicidade da trindade, escoltado entre os lindíssimos primos gêmeos 17 e 19;
Mês de Março, March; mês de marte;
Neste ano que começou numa Terça-feira!
Chega!
Nesta terça-feira dia dezoito de março, inaugura-se no TCA o ciclo de palestras internacionais sobre arte e linguagem promovido pela Braskem: Fronteiras do Pensamento
Enxergo neste evento algo que poderá vir a ser um divisor de águas para a cidade de Salvador capaz de nos retirar da nossa endogamia intelectual causada pelo isolamento.
Os convidados podem ser conferidos no site do Fronteiras e também no belíssimo caderno especial com o qual nos brindou o jornal A Tarde nesta última sexta-feira.

Infelizmente, só os primeiros 50 compradores do passaporte poderão assistir à palestra de Bernard Henri-Levy (se você nem sabe quem é vá ao site!). Os outros 1450 convites serão distribuídos pela patrocinadora do evento.
Se você pegou a dica de Morpheus e comprou o seu cedinho, parabéns!
Nesta manhã de sábado, gloriosa pelo sol e infernal pelo calor que dele emana, coloco aqui o texto de minha responsabilidade no caderno Idéias em Transe que saiu ontem na tarde onde apresento um dos convidados do ano: David Byrne
A seguir o texto do amigo Trajano sobre outro convidado: Wim Wenders
Por Manellis
“...Debaixo do barro do chão da pista onde se dança, suspira uma sustança sustentada por um sopro divino...”
De acordo com Gil, as emanações do divino chegam até nós transubstanciadas pela terra do lugar sob a forma de uma forte energia que transforma-se no som da sanfona, no balanço do cabelo da menina e que gera não só o baião mas também o xaxado, o xote e até mesmo a verde esperança que sai dos olhos e se espalha pela plantação.
A bela construção desta canção nos sugere a presença de um caráter “sísmico” na expressão folclórica. Pobre em vulcões, o Brasil é riquíssimo num tectonismo folclórico cuja importância para a cultura do mundo já foi identificada devidamente e vem sendo acompanhada há alguns anos pelos ouvidos atentos de um grupo de talentosos observadores internacionais. Um deles, David Byrne, estará este ano mais uma vez, entre nós na Bahia, agora como convidado do programa “Arte e a linguagem na cultura contemporânea” nesta que é a primeira edição baiana do celebrado seminário internacional patrocinado pela Braskem, “Fronteiras do Pensamento”
Nascido a 14 de maio de 1952 em Dumbarton, Escócia, criou-se em Baltimore e mora atualmente em Nova Iorque; formou-se em design pela prestigiosa escola de Rhode Island e em arte em pela de Maryland. Artista multimídia na mais profunda acepção do termo, Byrne é lembrado por muitos por sua participação como co-fundador, de 1976 a 1988, no “Talking Heads” (Cabeças falantes) de Nova Iorque, grupo que ainda na sua primeira infância seria aclamado por crítica e público alcançando rapidamente o status de banda “cult” em função de sua condução inovadora para o pop da época; pelo jargão da informática poderiam ser definidos como um “hub” pop-funk: um nó físico de concentração e dispersão de influências.
O reconhecimento ao impacto de sua contribuição e ao universo de discípulos levou-o, em 2002, com os outros Talking Heads a um lugar definitivo no cobiçado Rock and Roll Hall of Fame.
Acontecessem no Brasil e estariam junto com os Mutantes e os Tropicalistas em qualquer antologia musical sob o verbete “Inovadores lírico-melódico-visuais performáticos”.
Atento ao bom do mundo, Byrne buscou influências em fontes de qualidade tais como Fela Kuti, Gil, Mutantes, Willie Colón, David Bowie e a The Dirty Dozen Brass Band para compor uma ainda aberta formação mosaiciforme e multicultural à partir do que mais tarde seria rotulado por críticos simplistas como “world music”, termo abjeto - execrado por Byrne - criado para envelopar, num mesmo pacote, um coral de Soweto, Miton Nascimento e Ravi Shankar.
Byrne, no entanto e para azar dos biógrafos e explicadores de plantão, nunca foi apenas um “talking head”; muito mais que isto, ele bem que poderia ser um “thinking head”, um “multi-brain” ou um “restless mind” sempre disposto a multiplicar sua agenda ad infinitum para acomodar projetos que já à época do Talking heads pareciam inconciliáveis para apenas uma pessoa: as partituras do balé “The Catherine Wheel” (um balé de Twyla Tharp para a Broadway de uma noite inteira de duração!), o complexo e evocativo álbum “My Life in the Bush of Ghosts” em parceria com Brian Eno (produtor dos T. Heads) onde promoveram uma fusão entre música eletrônica, música de países em desenvolvimento e vocais hipnóticos; seu próximo trabalho solo, em 1985, seria “The Knee Plays”: um projeto baseado na sonoridade das bandas de metais de Nova Orleans. Como se não fosse o bastante, incorpora o Oscar de 1987 ao currículo ao lado de Bernardo Bertolucci, ao assinar as partituras do filme “O Último Imperador. Cria o selo Luaka Bop em 1989 destinado a dar espaço a artistas da assim categorizada World Music. Ainda no mesmo ano, repetindo a experiência de 1984 quando os Heads foram alvo do comentado documentário Stop Making Sense, Byrne estaria agora atrás das câmeras para o documentário Ilê Aiyê: The House of Life (Ilê Aiyê: A Casa da Vida) tratando das teocosmogonias africanas no Brasil. Um de seus últimos trabalhos foi “Here Lies Love”, um projeto sobre a filipina Imelda Marcos com contribuições de Fatboy Slim, que estreou em março de 2006 na Austrália.
O leitor mais perspicaz, certamente, já intuiu que listar em comentários a totalidade da atuação de Byrne na arena étnico-musical do planeta até a atualidade, por falta de espaço, está fora do escopo deste artigo.
Paralela e surpreendentemente, sem deixar que sua formação em arte e design fosse relegada a coadjuvante no seu processo criativo, Byrne vem se envolvendo desde os tempos de colégio com projetos específicos nas áreas de arte e fotografia que vêem tendo divulgação mais intensiva ao longo da última década. Mantendo a linha dos seus projetos musicais, seu trabalho artístico se ocupa da esteticização do mundano e do banal; os micro e o macrocosmos emocionais e materiais são abordados de forma a enfatizar a semente do complementar dentro do tema tratado de uma forma, eu diria, quase cyber- taoísta.
Pois é, este sismólogo cultural estará entre nós neste alvissareiro 2008 falando para os 1500 participantes do Fronteiras do Pensamento onde talvez explique entre outras coisas como foi que se encantou pelo tectonismo e musicalidade de um até então esquecido e genial baiano: Tom Zé; ressuscitando-o para o mundo, para o Brasil e, por que não dizê-lo, para os próprios baianos.
Por André Trajano
“Quando a criança era criança, não sabia que era criança, tudo era cheio de vida e a vida era uma só! Quando a criança era criança, não tinha opinião... não tinha hábitos... sentava de pernas cruzadas, e saía correndo...”.
Os anjos de Wim Wenders são como crianças, não têm biografia. Wim Wenders tem.
E Wim Wenders foi criança alemã imediatamente após o final da segunda guerra mundial. Filho de cirurgião, aos dezoito anos iniciava o curso de medicina, substituido pelo de filosofia já no segundo ano. Este também não chegou a termo, e tendo feito vinte e um anos, lá foi ele pra Paris à busca de ser pintor.
Como não conseguiu uma vaga na Academia de Artes, achou por bem assistir a mais de mil filmes durante suas tardes na cinemateca francesa. Feito isso, foi estudar na recém-inaugurada Escola Superior de Cinema e Televisão de Munique. Deu no que deu.
Vamos considerar que não foi um inicio fácil, mas também não se pode querer que seja fácil o percurso de quem quer ser grande cineasta. Para isso nao há diploma, formatura ou passe. O cineasta se faz.
Há quem diga que ele faz cinema pela música: o rock de Bob Dylan e Jimi Hendrix em Alabama: 2000 Light Years Home ou as músicas de Van Morrison, Harvey Mandel e de Credence Clearwater Revival em Três LPs americanos.
Pensar na constelação de bandas e cantores que ele utilizou no filme Viagem ao fim do mundo (1991) como U2, Talking Heads, Lou Reed, Peter Gabriel, Elvis Costello, R.E.M., Depeche Mode, Neneh Cherrye Nick Cave chega a causar uma certa vertigem.
Há quem veja nele principalmente o olhar estrangeiro, estranho ao ambiente, alienígena, um anjo pairando por sobre o que se quer ver. No entanto, em relação ao que há para ser visto, o cineasta se declara um invadido pelas imagens, e bendiz o fato de usar óculos, instrumento que propicia o foco, como dito por ele, no documentário Janela da Alma, de João Jardim.
Há quem jure, por fim, que o ponto de partida do cinema de Wim Wenders é a cidade. Los Angeles, Tóquio, Lisboa ou Berlim, considera-se que ele escolheria a cidade antes mesmo de escolher enredo, personagens ou todo o resto.
E foi juntando música, olhares e cidades que Wim Wenders fez sua carreira.
Pode-se dizer que nosso convidado não conheceu o “calo do sucesso”. Após a fama obtida com o filme Paris, Texas (1984); seguida pela consagração com o filme Asas do Desejo (1987), ele só foi fazer as pazes com o público em 1988, com o filme Buena Vista Social Clube.
Receberemos em Salvador além do cineasta, um Wim Wenders professor, fotógrafo, publicitário em causas de interesse público, video-maker, presidente de academias de cinema e juri do festival de Cannes.
Teria ele parado de filmar?
Aos sessenta anos, durante o Festival de Cinema de Locarno, quando recebeu um prêmio pelo conjunto de sua obra, ele declarou que tinha que pensar se iria parar por ali. No mesmo ano lançou o filme Estrela Solitária.
Como ele vem ter conosco, alguém poderia lhe dizer que por aqui ele é bem quisto e um recordista. Em Salvador, o filme Buena Vista Social Clube ficou em cartaz durante oito meses, entre 2000 e 2001, e bem ali nos Barris – na Sala Walter da Silveira.
Em termos de longevidade em cartaz, posso afirmar como programador no circuito de cinema SALADEARTE, que ninguém lhe tirou a dianteira, quer entre os filmes de arte, quer no circuito Hollywood.
Como ele já está vindo mesmo, chega de especulações e vamos ouvi-lo.
Não sem algum cabotinismo provinciano, porém declaro: eu por mim ele vem, fala, ouve, olha a cidade, se invoca e faz um filme.
Hasta la Buena Vista!
março 12, 2008
Pensamento amarelo
Eu não conhecia a revista da capa ao lado.E você?
Pois é, uma revista britânica com muitos artigos legais como este da capa sobre as transformações intelectuais que estão em curso na China.
Clique na imagem que eu te levo ao texto integral do artigo!
Neste exato momento estou acabando de lê-lo
Abraços do Morpheus,
e até um postzinho menos safado de curto
P.S. Se você está hoje com mais disposição para ler, vai aqui este linkzinho para um artigo do NYT sobre a ralada que os americanos estão tendo no Afeganistão - Link
Um artigo sobre o tema fora dos padrões médios; diria até, bem acima.
março 08, 2008
Neste 08 de março...
Salve o dia delas!Mas quanta hipocrisia!
Um dia só prá quem é tudo?
O Yin sem qual nenhuma semente germina,
Sem o qual toda criatividade perde o sentido,
Sem o qual a energia não poderia tornar-se... carne!
A carne que abriga,
e que alimenta;
que move o desejo,
e que nutre o engenho
para ser carne devorada.
A carne que nos ama e é por nós também amada
A carne que nos consome
No afã de uma nova carne
Uroboros devorante, devorada
Divinal paganizada
Mãe do universo ou filha enjeitada
Substrato das idéias
Fuga para o nada
Mulher é tudo de bom!
Inteira, inteirinha.
Não só a metade de baixo
Como querem alguns
Tampouco a de cima
Isso, de jeito nenhum!
Inteira, inteirinha
De qualquer forma
De qualquer jeito
Todas, todas mesmo
Não só a minha
Cibele turca de mil mamas
Fértil planície de ancas largas
De rosto calmo e expressão vaga
Que bebe da chuva
Que traga as sementes
Que floresce e frutifica em heróica saga
A mulher é como o Jazz
Se você pergunta o que é,
É porque nunca vai entender!
E precisa?
Enfim,
Para os que não as entendem e também
Para os que delas não sabem tirar "o" bom proveito
Antes de sair de cena e terminar este livre poema
Faço muxoxo e olhar coxo para lamentar num ponto sintético...
Que pena!
P.S. Hoje é o dia delas!
Beijem-nas apaixonadamente,
Não importa em qual das três categorias elas se encaixem:
A Deusa que você venera,
O espírito que lhe dá ordens ou...
O bicho que você cria
Feliz 08 de março!
março 06, 2008
Fronteiras da paz!
Projeto coloca a Bahia no cenário da cultura internacional
Enquanto as escaramuças de fronteiras entre os desdentados sulamericanos chegam ao limiar da nauseabilidade tolerável, a boa terra recebe um programa inédito de palestras quinzenais com tudo de bom da cultura mundial. Leia abaixo e vá ao site para se informar e se entusiasmar!
Boa viagem cultural
Salvador, pela primeira vez, abrigará um ciclo de conferências de alguns dos mais importantes artistas e pensadores contemporâneos
A partir do próximo dia 18 de março, no Teatro Castro Alves, com a palestra do filósofo e jornalista francês, Bernard Henri-Lévy, a Bahia passa a abrigar, no mesmo local, um circuito internacional de conferências que, mensalmente, até o final do ano, trará um nome importante do mundo da arte e da linguagem na cultura contemporânea.
O projeto, conhecido como Fronteiras Braskem do Pensamento, unirá através do mesmo circuito os estados da Bahia e do Rio Grande do Sul, onde, em ambos, a empresa possui instalações industriais. Na programação, que vai até novembro, os participantes poderão ouvir, entre outros renomados pensadores e estetas, nomes como o filósofo francês Michel Onfray; os músicos e compositores Philip Glass e David Byrne; o cineasta Wim Wenders; e a escritora, nascida na Somália e atuante política na Holanda, Ayaan Hirsi Ali.
Que é que cê tá esperando rapaiz,
Se pique e vá comprar logo seu passaporte (R$ 250,00);
Clique na imagem que eu te levo.
Nos encontramos lá!
P.S. 13 de março tem artigo de Morpheus no glorioso diário soteropolitano A Tarde
março 05, 2008
Salame de polvo e espresso portátil
La Première
Soprasetta de polvo (salame de polvo)
Cozinhe o polvo como de costume: na maior panela que você tiver (preferência 4 litros ou mais) cheia de água fervendo (sem sal!) com uma cebola picada dentro, coloque um polvo que você esfregou com sal até que ele ficasse com consistência de cetim (!). cozinhe por 1 hora e retire. Assim que esfriar, alinhe as pernas cortadas em sentidos alternados e enfie dentro de uma garrafa PET de 500 ml de água mineral cortada à altura do ombro da garrafa. Comprima o polvo contra o fundo da garrafa com um pedaço do que você tiver em casa que mais se adapte ao diâmetro da garrafa; comprima forte e leve ao congelador retirando antes do congelamento total. Rasgue a garrafa com uma lâmina de barbear e fatie o polvo com uma faca elétrica ou um fatiador de frios. Sirva sob um fio de azeite e uma pitada de sal e pimenta!La seconde:
Máquina portátil de Café espresso Handpresso
Para você que como eu sofre com os espressos vagabundos servidos mundo a fora; uma engenhoca à la Prof. Pardal com uma bomba acoplada a uma câmara hermética capaz de receber um sachet e uma dose de água quente e agüentar 16 atmosferas de pressão.Para mais detalhes (inclusive um vídeo de demonstração), vá ao site da Handpresso
P.S. Não deixe de visitar o site da Enciclopedia da Vida, um megaprojeto destinado a catalogar para disponibilização grátis online, todos os seres vivos do planeta!
P.P.S O diário de bordo que seguia bem e parou na fronteira continuará em breve com um post sobre os Cátaros e a região do Languedoc
março 04, 2008
Aviso prévio
Se a comida não estiver boa,
Que haja pelo menos uma boa companhia.
Se nenhum dos dois for possível,
Que a comida não nos faça mal!
Eu que sempre primei por observar a ocorrência feliz da trilogia algorítmica acima citada, hoje, a vivi de modo um tanto caótico; o bandejão do hospital, realmente, estava num de seus piores dias e eu já estava para engatar a marcha do mastigamento rápido afim de dar conta do serviço quando observei a chegada de Zezo em sôfrego movimentos de cabeça rastreando uma companhia para o repasto.
Ao contrário do habitual, Zezo exibia um ar um tanto quanto preocupado naquela manhã. Poderia não ter gostado da aparência da comida, podia estar com um familiar doente, com dívidas...sei lá, uma tragédia qualquer. A minha impressão se desfez quando notei que ele tinha me visto. Correu até minha mesa e pediu-me para puxar o freio de mão afim de podermos conversar durante o almoço. Aquele sim era o colega que eu conhecia.
Zezo sentou-se e disse-me que tinha passado toda a manhã numa cirurgia plástica com uma paciente que para ele era um caso perdido e para ganhar minha empatia, foi logo me citando:
- Sabe Morph, é como você diz: cirurgia plástica, às vezes, é uma enganação; ou a mulher é tão bonita que não precisa ou é tão feia que não adianta!
Mulherengo e cioso de sua performance de alcova, aquele comentário (no qual ele usava a minha máxima do “não precisa e do não adianta” de forma particularizada) não caía-lhe lá muito bem; imaginei que algo de errado pudesse estar ocorrendo com sua auto-estima. Ele continuou:
- O dinheiro que o marido daquela paciente está gastando com a reforma daquela carroceria velha dava para comprar duas novas com metade do tempo de uso! O botox vai deixá-la com a mesma espressão emocional de um agente da KGB; bem, mas se considerarmos que ela era parecida com o fofão e agora vai lembrar o Topo Gigio, pode até ser engraçado. Sabe
Morph, ele botou uns silicones que parecem duas bolinhas de tênis presas no peito de um leão-marinho! Deu uma puxada na barriga que a
implantação dos cabelos daquela parte que presta ficou quadrada como a cabeça do Herman monstro! Acho que a partir de agora ela vai poder usar um mictório masculino!
Eu já estava para morrer engasgado com aquele paroxismo de humor negro quando decidi dar uma de advogado do diabo e inverter a situação:
- Ô Zezo, dá um tempo, Parece que comeu torta de tamarindo com calda de limão! Você também não está mais lá estas coisas. Vive dizendo que tomou um Rivotril aqui e ali para conciliar o sono, não faz mais aquele barulho de cachoeira quando vai fazer xixi, não se senta mais de primeira sem antes, digamos assim, retirar a bolsa escrotal do perigo de esmagamento; tá cheio de hérnias de disco, tomando remédio para hipertensão e colesterol alto, seus cabelos não estão mais com o padrão mínimo de densidade e a tintura que você usa no bigode já está em sério contraste com a vitalidade da pele do seu rosto! O que é que há? Todo mundo envelhece, o importante é viver as fases da vida com tranqüilidade! O que foi que houve? Foi a primeira vez que você falhou na segunda ou foi a segunda que você falhou na primeira?
Amigo de longo tempo, ele reconheceu minha perspicácia clínica incrementada, de certo, pelos longos anos de amizade:
- É negão, pior que isto, não tou bem não! Parece meio besta, mas esta manhã eu me lembrei muito de meu tio Joca de quem você sabe, eu gostava muito.
- Sim e daí?
- Ah, ele vivia inventando histórias engraçadas e outras nem tanto.
- E de qual você se lembrou?
- O tio Joca estava dando uma “assistência” à uma vizinha do bairro cujo marido, aplicadíssimo ao trabalho, parecia andar meio mal das pernas, no quesito obrigações conjugais. Eu, à época, estava me educando nestes assuntos e perguntei a ele o porquê daquilo uma vez que a tal vizinha parecia ser tão exuberante. Tio Joca me disse que os homens, à medida que envelhecem, podem perder um pouco do interesse de jogar o mesmo ping-pong com a mesma parceira sempre do mesmo jeito e, uma vez que somos divididos em dois grupos básicos: infiéis e covardes, os covardes começam a definhar apresentando estes sinais de esmorecimento, espinhela caída, insônia etc etc etc. Alguns, segundo ele, disfarçam e vivem arrumando cansaço nos reparos domésticos, horas extras ou prolongados “Testes de Cooper”...tudo para esconder o fato de que não podem mais sustentar uma toalha sem usar as mãos! Nem seca quanto mais uma molhada (se você não entendeu, sinto muito!). É Morph, o Tio Joca era uma enciclopédia...
- Sim, perguntei curioso, mas de qual lembrança você tirou esse azedume de hoje?
- Bem é que eu lembrei que entre os sintomas ominosos que o Tio Joca enumerava estava o da migração dos pentelhos.
- Como é que é?
- Ele dizia que quando nosso pintinho – Juro, ele falou assim!- está para morrer para o prazer, os cabelinhos – Juro, de novo! – vão fugindo para longe e não é de hoje que eu noto que meu saco está ficando careca! Só não sabia para onde os cabelos estavam indo.
- E então, agora você já sabe? É por isto que está assim? Onde estão eles?
Zezo me olhou melancólico e disse:
- Pô Morph, exatamente para onde o Tio Joca falou que eles iam nos casos mais graves...
- Onde, onde, perguntei ansioso.
Zezo levantou a mão e, com os olhos rasos d’agua, apontou para dentro do ouvido!
Lá estava um tufo exuberante de cabelos celebrando a entrada de Zezo no clube dos Orelhas
Peludas!
Não precisa dizer que passei toda a tarde me contorcendo em cólicas por causa da quantidade de ar que engoli dando risadas!
Quando a euforia arrefeceu, fui arrastado por uma mão invisível até o vestiário e tentei identificar, ao espelho, qualquer, qualquer mesmo que fosse, mínimo crescimento capilar atípico no meu conduto auditivo...e...e...e...
Nada ainda!
março 02, 2008
Enrolão d'uma figa!
Morpheus acaba de passar por uma semana um tanto quando assoberbada por conta de demandas do nosso presidente Ric Azevedo e seu comparsa de departamento científico, o querido Dudu Kraychette. O golpe de misericórdia veio com a demanda bem-vinda mas não menos fatigante do amigo Alan e de seu não menos comparsa, Trajano para um texto que publicarei aqui assim que que for publicado no jornal ao qual se destina.
Tarefas à parte pensava em postar um enche-linguiça para este domingo mormacento de Salvador quando me veio à mente a figura do "enrolão d'uma figa!"
Como não sou de frustrar os visitantes que por aqui aparecem em busca de conteúdo, vai aqui um pequeno artigo de Alexandre Dumas sobre o ilustre FIGO!
Distraiam-se enquanto aguardam algo mais inspirado.
Enquanto isto, cozinharei alguns desidratados em caldo de frango para saborear à noite, como entrada, sob forma de uma pasta de acompnhamento para fatias de foie gras sob um top de tartare de atum fresco!
Figo: [Ficus carica]. Apesar da reputação dos figos de Argenteuil, comem-se bons
figos tanto na província da Île-de-France quanto no Midi; os de Marselha só perdem o lugar para os de Capodimonte e da Sicília, os melhores. São comidos frescos e secos. Quem já foi à Itália sabe que a maior injúria que se pode fazer aos milaneses é mostrar-lhes a ponta do polegar apertada entre os dois dedos, o que chamam de far la fica ["fazer a figa"]; essa aversão pelo figo vem de um fato que Rabelais conta da seguinte forma: Os milaneses, rebelados contra Frederico, haviam expulsado da cidade a imperatriz, sua esposa, a qual foi colocada sobre uma velha mula, o rosto virado para o rabo.
Frederico, entretanto, voltou a vencer e, após ter aprisionado os rebeldes, imaginou mandar o carrasco prender um figo embaixo do rabo dessa mesma mula e exigir que cada um dos vencidos o tirasse dali e apresentasse ao carrasco dizendo: "Beco il fico", depois o recolocasse no lugar; tudo, sob pena de ser enforcado. Vários preferiram morrer a se submeter a tal humilhação, mas o medo de ser morto determinou o maior número. Daí a fúria dos milaneses quando lhes fazem a figa. Foi também um figo que fez o Senado romano votar pela destruição de Cartago. Todas as vezes que Catão dava sua opinião no Senado, terminava com estas palavras: "Precisamos destruir Cartago! (Delenda est Carthago)." Em uma sessão em que se deliberava sobre a guerra a essa potência, Catão mostrou um figo a seus colegas:
- Quando, disse ele, os senhores acham que esse figo foi colhido?
-A julgar pelo frescor, há pouco tempo.
- Pois bem! Esse figo estava pendurado na árvore há apenas três dias e vem de Cartago. Julguem quão próximo de nós encontra-se o inimigo!
A guerra foi declarada na hora!
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Thoin, sementeiro do Jardin des Plantes (à Paris monsieur!), havia encarregado um criado simplório de levar a Buffon dois belos figos de primeira. No caminho, o criado deixou-se tentar e comeu uma das frutas. Buffon, esperando receber duas, perguntou pela outra, e o valete confessou sua fraqueza. "Como fizeste isso?" vociferou Buffon. O criado pegou o figo que restava e disse, engolindo-o:
- Assim! ...
P.s. Dois sitezinhos para visitar nas horas vagas :


