maio 31, 2008

Mais uma tribo (ainda) desconhecida!

O post abaixo é uma citação/Homenagem ao fórum de Julian Ludwig que mantém uma discussão excelente sobre o violão brasileiro além de manter uma revista online sobre o tema.
Neste pseudopost, reproduzo uma matéria dele sobre uma dupla brasileira que se intitulava "Os Índios Tabajara"; nada a ver com as organizações Casseta e Planeta. Estes caras eram demais!
Velozes e precisos; sobrehumanos!
Este post é mais um esforço para tirá-los das privadas prateleiras dos conaisseurs.
Uma introdução e abaixo dela, um vídeo raro no qual tocam "O vôo do besouro" de Rimsky-Korsakov.
Nada poderia ser mais representivo de seu virtuosismo.
Jimi Hendrix, que era apenas meio-índio, exibia apenas a metade da velocidade!
Aviso: Não tentem fazer isto em casa!

Mussapere e Herundi são os nomes indígenas Natalício e Antenor Lima (o sobrenome Lima foi adotado em reverência ao tenente Moreyra Lima). Ambos são índios da tribo dos Tabajaras e que falavam apenas Tupi e aprenderam português apenas a partir dos 10 anos de idade. Natalício (também conhecido como Nato) provavelmente tem 88 anos de idade agora (2007), mas ninguém sabe com certeza, uma vez que os índios brasileiros não tiravam certidão de nascimento. Eles nasceram no interior do Ceará.

Os irmãos nunca haviam visto instrumentos de "homem branco" até que a primeira expedição militar chegou ao acampamento da tribo e o primeiro instrumento que eles ouviram foi a corneta tocada por um dos soldados. Depois que o exército seguiu adiante, eles decidiram deixar a tribo e seguir viagem pelo país, primeiro indo até Fortaleza a pé. Eles continuaram a caminhada, parando em muitos lugares até chegarem ao Rio de Janeiro (um total de aproximadamente 2,700km, que eles levaram mais de 3 anos para completar). Foi durante essa longa viagem que eles primeiro pegaram num violão e começaram a aprender o básico do instrumento.

Uma vez chegando ao Rio de Janeiro, eles começaram a tocar violão e cantar músicas indígenas nas ruas da cidade e conseguiram sobreviver decentemente com essa atividade, chegando até mesmo a comprar uma casa. À medida em que foram ficando conhecidos, eles começaram a tocar no rádio, o que os teria levado ao Chile, onde ouviram música clássica pela primeira vez. Eles se apaixonaram pela música de Chopin e decidiram aprender a ler partitura e transcrever peças para o violão.

Musicalmente falando, é muito difícil encontrar uma explicação para os Tabajaras. Eles são auto-didatas, com uma velocidade e precisão impressionantes. Nato Lima aprendeu a tocar de palheta e de dedos, mas no final misturou ambos, ele tinha uma pequena palheta amarrada ao polegar e conseguia alternar ambos os estilos de maneira extremamente eficiente. Em 1953, os irmãos chegaram aos EUA e acabaram sendo contratados pela RCA Victor através de um amigo que eles encontraram acidentalmente em Nova Iorque quando estava brincando de arremessar bolas de neve um contra o outro.

Nos EUA, os Tabajaras não chamaram muito a atenção logo no início. O fator "exotismo" acabou se revelando importante no desenvolvimento de suas carreiras e assim que eles começaram a aparecer na TV, eles se tornaram um sucesso retumbante, vendendo milhões de LP que misturavam uma variedade de estilos como jazz, bossa nova, clássico, bolero, e também música folclórica. Eles também se aventuraram a cantar em inglês, espanhol e português.

maio 29, 2008

O tarô de Camille

Olá todos,
Ontem, dentro do programa Fronteiras do Pensamento Braskem, Salvador recebeu no TCA a Professoara Camille Paglia.
Confesso que esperava mais.
Sessenta e dois slides com obras de arte foram analisados ao longo de quase 3 horas sob o prisma do tema: Sexualidade
Exaustivo
Cansativo
Improdutivo

Em 62 oportunidades Mme Paglia fez tudo que não se deve fazer com uma obra de arte: analisá-la!
A grande obra deve ter o impacto de um aforismo bem cunhado.
Jamais deve ser dissecada como se tentou fazer.
Deixemos as análises simbólicas para os cursos de tarô!
(Ih, Eu já fiz um! Mas foi há muito tempo.)
Klimt, Matisse, Salvador Dali e até mesmo os sugestivos Picasso (sem o qual não tem mulher feliz!) e Tamara De Lempicka foram apresentados.
Um show de lugares comuns e de proselitismo à sua (dela) sexualidade.
Ao final, hardcore!
Fotos de temática bizarra que devem ter chacoalhado os neurônios do escrete de religiosos do mosteiro de São Bento que se assestou nas primeiras filas.
Quando voltaram para o mosteiro das duas, uma: ou passaram mal ou foram se confessar!
A foto de um nu masculino fotografado por derrère com um chicote fazendo as vezes de um colonoscópio foi o ápice do constrangimento para muita gente que nem nunca imaginou que alguém pudesse fazer isso com um chicote embora, na Bahia, bunda e chicote sejam sinônimos!
Ou seja, do ponto de vista baiano, uma de suas fotos mais radicais não passou de um simples pleonasmo!
Houve quem gostasse mas certamente foram menos que 30% uma vez 70% da platéia já estava devolvendo os personal translators tabajara muito antes do final.
Madonna foi citada várias vezes numa intensa sugestividade de atração.
A coleção de arte de Madonna, o beijo que Madonna deu em Britney Spears, O clip de Madonna, Madonna, Madonna....& Madonna.
Hum, sei não!
A baianidade, ou melhor a sexualidade baiana, me pareceu contemplar a baixinha atômica com um certo tédio.
A galeria parecia uma clínica de polissomnografia: só ronco!
Acho que muita gente sentiu vontade de convidá-la para passar um carnaval aqui pra fazê-la entender que sexualidade não tem nada a ver com complicação.
A ênfase dada à imagem idealizada da mulher sob a perspectiva de artistas/fotógrafos gays serviu pelo menos para ratificar a impressão que muita gente tem por certeza: o padrão estético feminino atual - modelos - saiu da cabeça de gente que não gosta da fruta!
Os reais consumidores as apreciam como vinhos: encorpadas
Não os Et's andróginos que desfilam com roupas que ninguém tem coragem e/ou dinheiro para comprar.
O lado positivo - pois até disco de Alcione tem faixa boa! - é a formação de uma platéia crítica para este tipo de evento numa terra em que Universidade é apenas um verbete de dicionário para boa parte da população.
Eu mesmo...
Me mandei para o Barthô (onde era o vetusto Diolino das batidas) para encontrar com amigos e assistir o Fluminense arrancar um empate na Bombonera sob os olhares atônitos de nossos hermanos. Tudo isto acompanhado de um delicioso polvinho com páprica e batata, figadozinhos de frango grelhados, &c, &c, &c.
A noite acabou e lá se foi Madame Camille.
Com seu tarô sexual de 62 cartas.
Ah se ela conhecesse aas bundas de Carybé!
A Braskem, aliás, podia presenteá-la com um exemplar do magnífico livro editado pela Odebrecht e só disponível em sebos com a obra de nosso querido Hector Bernabó
Prognóstico: sem futuro!

P.S Acho que no fundo, no fundo pessoas assim não são realmente assim; fazem isto só prá ver se alguém mete o pau!
Abaixo, o beijo de Madonna em Britney classificado por Camille como o "Kiss of Death". A julgar pelo atual status físico de Brit, eu acho que ela pegou algum bicho!


maio 26, 2008

Parque dos Dinossauros

Este domingo fui atrás do que seria o "Dubstep" uma nova batida londrina.
Catei aqui e ali a discografia básica e fui ouvir...
Uma m*!
Troféu Natalino com honras!
Em compensaçããããão...
Achei um blog cheio de novidades musicais: Lucio Papeiro - Sensata
Muito dubstep mas com outras coisas legais.
Desta primeira visita, gostei do som do Anathema. Trata-se de uma banda de rock progressivo com um matiz meio dark muito bom. Tem horas que sugere Radiohead, Yes, Metallica etc.
Deixei abaixo um clip com a canção Violence.
Pros tiozões que ainda não têem um Sentra e morrem de saudade de suas Bandas 70's



Fui!

maio 24, 2008

A última palestra

O câncer de pâncreas é um daqueles tipos aos quais Simon & Garfunkel se referiam em "Sounds of silence" quando cantam "...silently as a cancer grows..."
Uma dorzinha nas costas, um check-up laboratorial alterado e pronto...
O paciente está diante de uma ampulheta que se esvazia rápida e inexoravelmente, faça-se o que se fizer.
A nossa ânsia de trascendência nos impele, diante de partidas com hora marcada, em direções inusitadas. Desde a tetralogia: negação, revolta, barganha e aceitação até outras mais incomuns.
Gente inteligente sempre faz coisa bacana e é a propósito disto que trago aqui uma palestra do Prof. Randy Pausch. Ele foi acometido de câncer pancreático há pouco tempo e apresenta aqui a palestra que ele chama de "The last lecture - Really Achieving Your Childhood Dreams" onde fala sobre tópicos existenciais e apresenta sua visão e filosofia de vida sem nenhuma pieguice ou espiritualidades de última hora.
Ao definir o CA de pâncreas como um raio que cai de um céu azul (a thunderbolt out of the blue) ele remete-nos à figura da espada de Dâmocles - suspensa sobre nssas cabeças por um fio de cabelo - no que acho que o faz com extrema felicidade.
Millor diz que ao vivermos cada dia de nossa vida como se fosse o último, um dia, acertaremos!
Millor é tudo de bom!
Bem, deixo com vocês a conferência legendada do Dr. Randy que também percorre o país levantando fundos para pesquisas sobre o CA de pâncreas.

Se quiser saber mais vá até o site oficial do Dr Randy: Clique aqui



P.S.
Dica de livro:
Léxico Científico-gastronômico
Nos últimos anos, o mundo da gastronomia tomou consciência de que o conhecimento das reações e cocções que se produzem numa cozinha beneficiaria os profissionais dessa disciplina que, até então, atuavam com o tradicional método de ensaio-erro.
Esse livro é uma ferramenta que aproxima os cozinheiros e os amantes da cozinha dos termos que ajudam a compreender a natureza dos alimentos, explicando os motivos pelos quais se produzem as reações culinárias e quais produtos podem facilitar seu trabalho.
Clique na imagem da cpa para ir comprá-lo na Saraiva

Dica de site:

PlanetaVino
Site de Patricio Tápias
Criador do Guia de los descorchados o melhor, na minha opinião, livro anual sobre vinhos chilenos.

World Press Photo
Fotojornalismo da melhor qualidade

Enquanto vocês se distraem com estas dicas e videos eu vou tentando me livrar de uma infecção mental que sofri desde que escutei esta música do novo disco de Madonna.
Olodum + Chico Science + Michael Jackson + Hip hop + whatever = Mind worm!
Quem?
Morpheus?
Ouvindo Madonna?
Bem...
ninguém é perfeito!

maio 23, 2008

Mephisto e o Dr Calligaris

Poxa,
Um tempão sem postar...
Nada não, a semana foi um pouco difícil.
Aporrinhações aqui e ali...
Mas sobrevivi!
Neste ínterim, assisti mais uma vez ao filme Mephisto.
O ator seduzido pelo poder, rebaixado a marionete, conformado e lançado novamente ao escárnio dos que não podendo possuir sua arte furam-lhe os olhos como ocorreu ao Assum Preto de Gonzagão.
Mais uma vez lembrei-me da ministra que saiu por falta de ambiente e dos nossos governantes.
O filme é um clássico com um tema universal.
Não deixe de assistir se é que ainda não o fez.
Às vezes, eu mesmo me pego, como o protagonista ao final do filme, dizendo a uma audiência que não distingo pela incandescência do feerismo existencial: "o que querem de mim? Eu sou apenas um ator!
Mas aí baixa Raulzito - de metamorfose ambulante - e eu pronuncio com um sotaque de Piritiba:

"...se hoje eu te odeio amanhã te tenho amor
te tenho horror
te faço amor
eu sou um ator!
É fácil chegar a um objetivo num instante..."


Prá matar o tempo, se é que você tem algum vivo, vai aí um bom papo com Contardo Calligaris. Humor, inteligência, lugares comuns, idiossincrasias...enfim , todos os inmgredientes de uma boa conversa. Boa e longa conversa: 2 horas!
Se não tiver muito tempo, chame o download e vá assar um peru; quando voltar o vídeo já estará todo carregado e você vai puder pular o lenga-lenga ao seu bel-prazer arrastando para a direita a bolinha com o símbolo da UOL que corre sobre a linha do tempo no rodapé da janela.
Preste atenção na parte na qual Contardo faz menção ao constrangimento que o grupo promove sobre o indivíduo forçando-o a assumir uma atitude gregária.

Hasta luego!

maio 18, 2008

Marina, Cabocla, Marina...

Pegar malária 5 vezes,
hepatite duas,
leishmaniose pelo menos uma.
Intoxicar-se por metais pesados,
alfabetizar-se aos 16 anos,
formar-se em História,
eleger-se vereadora,
senadora,
e ser ministra de uma das áreas mais críticas para gestão estratégica do nosso país.
Enfrentar ruralistas ONGs, outros ministros, pistoleiros; carregar o legado de Chico Mendes.
Entender a dimensão cósmica da floresta.
Praticar uma filosofia pragmática e resoluta acerca de suas competências...
Tudo isto em um nome.
Um nome que mesmo sugerindo a presença do mar,
nasceu na floresta.
Floresta que hoje, rebaixada a "selva", é refúgio (ou refugo) das criaturas mais perigosas que o chassi humano pode encarnar.
Outras épocas estivéssemos, poderíamos ter inspirado Sérgio Leone a filmar o Jungle Western.

Esta semana, demissionária, perdemos a ministra (não a pessoa!) Marina Silva, ou melhor, Osmarina Silva, cabocla voluntariosa e portadora do que gosto de chamar de "genialidade ética"; entendendo por isto o uso mais eficaz possível dos preceitos básicos de ação voltada ao próximo.
Uma forma refinada e inteligente de amar!
O seu exemplo, apesar de todo o cardápio de doenças infecciosas que a afetou, merece ser repercutido como a melhor forma de como conduzir uma biografia para os livros de história.
Sua trajetória deveria ser obrigatória a todas quanto um dia se disponham a querer afrontar preceitos chauvinistas.
Seu legado biográfico deveria ser vedado por lei a citação por dondocas ou urbanóides oportunistas.
Que volte para o senado e faça, como de costume, o melhor proveito do que lhe é dado.

P.S.
Assista aqui em 3 partes a entrevista da neurocientista Suzana Houzel na qual ela fala com graça e competência sobre os mitos e verdades, sobre os mistérios e descobertas, sobre ciência e governo num programa no qual foi entrevistada por gente que, apesar das suas funções, mostrou uma perigosa e pesada ignorância acerca de temas corriqueiros em neurociência.
Os vídeos, em 9 partes, estão no youtube mas aqui foram compactados em 3 para download. Baixe, assista e mande seu filho levar para escola e mostrar para aquela professora moderninha e construtivista que não sabe p* nenhuma sobre o substrato orgânico sobre o qual trabalha.


Parte 01

Parte 02

Parte 03


Indicações Morféticas


Stephen Koch, ex-catedrático do programa de pós-graduação em redação criativa da Columbia University, escreveu esse manual singular da arte da ficção. Além de suas observações lúcidas e análises técnicas, o autor entremeia em seu texto elementos de sabedoria, orientação e comentários inspiradores a respeito de alguns de nossos maiores escritores. Conduzindo o leitor desde o primeiro momento, o momento da inspiração, à primeira versão e à concepção do enredo, Koch é um mentor benevolente, que se compraz em oferecer boa orientação quando mais se precisa dela. Oficina de escritores é indispensável na estante de todo escritor, para ser cuidadosamente folheado e estudado nos momentos em que a musa precisa de alguma ajuda para se manifestar.



Narrativa histórica em grande estilo, este é um profundo e envolvente relato sobre a Europa a partir da queda de Berlim, no final da Segunda Guerra Mundial. Abrangendo nações do leste e oeste, norte e sul, ele forma um magnífico panorama de sessenta anos, repleto de novas e brilhantes percepções.
Tony Judt, um dos historiadores e intelectuais mais conceituados da atualida-de, dedicou quase uma década de pesquisa e reflexão a esta grande história da Europa pós-1945. Esta é a primeira obra que apresenta todo o continente, de leste a oeste. Judt se baseou em pesquisas em seis idiomas para narrar a tumultuosa e excepcional jornada de um continente após a devastação causada pela mais violenta guerra da História. Nenhum país, questão, indivíduo importante ou evento decisivo deixa de merecer o foco da narrativa, mas Pós-guerra é o oposto de história arrastada. A narra-tiva é sempre brilhante, dinâmica, impulsionada pela força da voz do autor. Espirituo-so, contumaz e repleto de observações novas e surpreendentes, o livro é rico em deta-lhes visuais, com mapas, fotos e charges instigantes.
Pós-guerra constitui um raro deleite para os amantes de História e da Europa; é um espetáculo que nos transporta, desafiando ou até mesmo desmontando nossos preconceitos e ideários, deixando toda a Europa impressa na mente de maneira indelével.

maio 15, 2008

Três Brancos: Arruda, Lírios e Rosas

Para perfumar a vida, vão aí três maravilhosos brancos da nova escola sulamericana de enologia.
Elegantes e perfumados; acidez na medida certa para facilitar sua digestão na faixa de 20 a 40 reais.
Não deixe de conferir o AltaVista Torrontés; lírios em bouquet na branca mais peculiar da Argentina.
Rosas, muitas rosas e pouca lichia no gewurztraminer da Aresti. Ideal para os ensopadinhos baianos e para Thai food
Arruda, olorosa arruda! um vinho com cheiro de candomblé: Sauvignon Blanc da Bianchi. Barato e bom!
Para ostras e peixinhos.



maio 13, 2008

Damásio, Espinoza e os Epicuristas

Ói nós!
Achei esta conferência maravilhosa dada por Antonio Damásio, na Catalunha recentemente.
Damásio - Português como Espinoza - fala aqui sobre sentimentos e emoções; o papel de cada um e seus propósitos evolutivos intrínsecos. Tudo a ver com bem-estar, felicidade, serenidade e bem-viver.
Damásio é um dos mais importantes neurocientistas da atualidade e autor de livros de sucesso como "Procurando por Espinoza" e "O erro de Descartes"
Ele é "O" cara da neurociência.
Aqui ele explicará o connatus de Espinoza, o Feelings de Morris Albert e o Staying Alive dos Bee Gees, o Barato Total de Gil e o Mens sana in corpore sano dos romanos!
Ah... e também a ataraxia dos epicuristas!
Bem... e o que, não sem uma ponta de maldade, meus amigos chamam de Manellismo!
Um bom combo filosófico-neurocientífico.
Se o jargão ficar duro e mesmo assim causar interesse, estou a dispor!
O material disponibilizado serve para que se veja como se pode usar um simples blog para apresentar uma conferência a quem não pôde ir assistir.
E last but not least...
Não deixem de comprar o fascículo deste mês da revista "Mente - Cérebro e Filosofia que faz um bom, sumarizado e compreensível painel sobre a "Escola de Frankfurt"

Parte 01



Parte 02

maio 09, 2008

Ecos de uma provocação

Um dos pródromos mais significativos da decadência de uma comunidade é a evasão de competências do acervo da prata da casa. A objetividade desta constatação vale para o Brasil, para São Paulo, para o Piauí, para o pós-guerra europeu, até mesmo para Índia ou para a China. A Europa, a China e a Índia têem usinas de produção quantitativa e qualitativa que, no caso da Europa nutriu Princeton e ainda assim serviu à sua reconstrução; no caso da China e da Índia, a absurda taxa de natalidade cria uma quase-certeza estatística de que um ser humano genial nascerá a cada X dias.
Um atavismo pindorâmico, às vezes, promove milagres. Um recente é a iniciativa do super-premiado neuro-cientista Miguel Nicolelis de voltar ao Brasil e fundar um centro avançado de primatologia em Natal-RN.
A Bahia, por sua beleza e afetividade constitucional arquetípica, resgata muitos de seus egressos pródigos para visitas periódicas e, eventualmente, definitivamente. Infelizmente, em alguns casos, tarde demais quando néctar de suas excelências já se encontra exaurido.
Deixo abaixo um texto de Dimenstein em contraponto
ao pronunciamento nefasto do Prof. Natalino, que pode nos servir de motivação
para perseverar ante toda e qualquer dificuldade na constituição de um grupo de pensamento com sotaque baiano, aqui mesmo, na Bahia!
O texto em questão foi-me enviado pelo caro colega Machado numa colaboração espontânea ao fim do debate iniciado involuntária e atabalhoadamente por nosso veterano "Professor".
O curioso é constatar que a sociedade leiga foi muito mais acadêmica em rechaçar prontamente as sandices proferidas pelo infame professor que a própria academia que o ouviu pacientemente durante anos até às vésperas da sua compulsória.

Quinta-feira, 8 de Maio de 2008

Déficit de QI baiano é verdade.
Por Gilberto Dimenstein

Criou-se uma imensa polêmica em torno do suposto "déficit de inteligência" do baiano para explicar por que os alunos da Faculdade de Medicina da UFBA foram tão mal nas provas nacionais. A polêmica foi tão grande que o autor da frase e então coordenador do curso, Antônio Dantas, renunciou ao cargo. Há mesmo um déficit de inteligência baiano. Mas muito longe daquele citado pelo professor.
O déficit de inteligência da Bahia é, na verdade, a avassaladora perda de cérebros que, por falta de alternativa, se mudam para outras cidades do Brasil e do exterior.
Há uma leva crescente de empresários, executivos, médicos, publicitários, engenheiros, designers ou produtores culturais. Uma série de ícones da publicidade paulistana é baiana. Nizan Guanaes é apenas a estrela mais reluzente de uma crescente constelação de migrantes.
É gente formada, em geral, nas boas escolas e, como é normal entre os imigrantes, são empreendedores e esforçados. Alguns montam seus próprios negócios e ajudam a inovar e gerar empregos. Vejo como muitos deles prosperam rapidamente, beneficiados pela criatividade baiana combinada com a disciplina paulistana.
Quando se estuda por que determinada empresa, cidade ou país prospera e se destaca sempre vamos encontrar os inovadores. Os inovadores gostam de estar com outros inovadores pela simples razão de que detestam a repetição e a mediocridade.

Quando estudamos porque uma empresa, cidade ou país entra em decadência, vamos encontrar também a fuga ou o sufocamento de seus inovadores esse é o custo do déficit de inteligência.
O que é um superávit extraordinário para São Paulo é um tenebroso déficit para quem exporta essa mão-de-obra.
O que me deixa perplexo é que, na Bahia, quase ninguém parece perplexo com esse déficit de inteligência, o que acaba estimulando um círculo vicioso do baixo capital humano. Isso vai a tal ponto que um professor, baiano, chega dizer que seus conterrâneos são burros o que, além do estúpido preconceito, simboliza uma auto-depreciação.
Gilberto Dimenstein, 48, é membro do Conselho Editorial da Folha e criador da ONG Cidade Escola Aprendiz. Coordena o site de jornalismo comunitário da Folha.

P.S. A revista inglesa Prospect realizou enquete com seus leitores sobre os principais intelectuais da atualidade; infelizmente, nenhum representante da nossa Pindorama.
Será que o pessoal tá tocando Berimbau?

Eis o ranking:

Position Name /Total votes

1 Noam Chomsky 4827
Born in 1928 in Philadelphia, Chomsky earned his academic stripes as a young linguistics professor at MIT in the 1950s. His theory of transformational grammar, forged at this time, posits that the capability to form structured language is innate to the human mind. But the general public first came to know Chomsky for his outspoken opposition to the Vietnam war. For more than 40 years, he has been the academy’s loudest and most consistent critic of US policies at home and abroad. Chomsky has written more than 40 books and continues to lecture frequently, as prolific a provocateur as ever.

2 Umberto Eco 2464
Umberto Eco might be known as a medievalist, but it is probably more apt to call him a renaissance man. Although the 73-year-old Italian is employed as a professor of semiotics at the University of Bologna, his body of work defies a single label. He has written about the philosophy of Aquinas, the relevance of aesthetics throughout time and the cultural influence of comic strips. And that’s just the non-fiction. Eco became known around the world for his novels The Name of the Rose and Foucault’s Pendulum, and the former was turned into a major Hollywood film starring Sean Connery.

3 Richard Dawkins 2188
Richard Dawkins burst on to the scene with his 1976 book The Selfish Gene, which presented the gene as the central unit of natural selection. Now professor of the public understanding of science at Oxford, Dawkins, 64, is a formidable critic of organised religion—as witnessed by his piece on “Gerin oil” for last month’s Prospect—and is now perhaps the world’s most vocal atheist. In books, essays and media appearances, Dawkins makes the case for science to the general public in a way few can match. He is now reportedly working on a documentary about religion, tentatively titled The Root of All Evil

4 Václav Havel 1990
Born in 1936 in Prague, Havel came to prominence in the 1970s for writing plays that ridiculed the absurdities of life in a dictatorship. His involvement with the Charter 77 initiative led to imprisonment and the banning of his work. In 1989, with the Berlin wall crumbling, Havel emerged as the leader of the “velvet revolution” and a year later was elected Czechoslovakian president.
Then, after the country split in 1992, he served as the president of the Czech Republic from 1993-2003. He remains active in Europe, chastising the EU for its passive approach to human rights in
countries like Burma and Cuba.

5 Christopher Hitchens 1844
The New Jersey-raised son of Hungarian immigrants is most famous for championing individual freedom and for arguing that taxes should be cut “whenever it’s possible.” His theory of?monetarism, which emphasises the importance of control of the money supply, replaced Keynesianism for a time as the dominant strand in economic theory. Friedman’s work at the University of Chicago propelled his ideas into the political mainstream, and in 1976 he was awarded the Nobel prize in economics. His views, transmitted via Keith Joseph and the IEA, influenced the policies of the early Thatcher governments.

6 Paul Krugman 1746

7 Jürgen Habermas 1639
8 Amartya Sen 1590
9 Jared Diamond 1499
10 Salman Rushdie 1468
11 Naomi Klein 1378
12 Shirin Ebadi 1309
13 Hernando De Soto 1202
14 Bjørn Lomborg 1141
15 Abdolkarim Soroush 1114
16 Thomas Friedman 1049
17 Pope Benedict XVI 1046
18 Eric Hobsbawm 1037
19 Paul Wolfowitz 1028
20 Camille Paglia 1013
21 Francis Fukuyama 883
22 Jean Baudrillard 858
23 Slavoj Zizek 840
24 Daniel Dennett 832
25 Freeman Dyson 823
26 Steven Pinker 812
27 Jeffrey Sachs 810
28 Samuel Huntington 805
29 Mario Vargas Llosa 771
30 Ali al-Sistani 768
31 EO Wilson 742
32 Richard Posner 740
33 Peter Singer 703
34 Bernard Lewis 660
35 Fareed Zakaria 634
36 Gary Becker 630
37 Michael Ignatieff 610
38 Chinua Achebe 585
39 Anthony Giddens 582
40 Lawrence Lessig 565
41 Richard Rorty 562
42 Jagdish Bhagwati 561
43 Fernando Cardoso 556
44 M Coetzee 548

44 Niall Ferguson 548
46 Ayaan Hirsi Ali 546
47 Steven Weinberg 507
48 Julia Kristeva 487
49 Germaine Greer
471 50 Antonio Negri 452
51 Rem Koolhaas 429
52 Timothy Garton Ash 428
53 Martha Nussbaum 422
54 Orhan Pamuk 393
55 Clifford Geertz 388
56 Yusuf al-Qaradawi 382
57 Henry Louis Gates Jr. 379
58 Tariq Ramadan 372
59 Amos Oz 358
60 Larry Summers 351
61 Hans Küng 344
62 Robert Kagan 339
63 Paul Kennedy 334
64 Daniel Kahnemann 312
65 Sari Nusseibeh 297
66 Wole Soyinka 296
67 Kemal Dervis 295
68 Michael Walzer 279
69 Gao Xingjian 277
70 Howard Gardner 273
71 James Lovelock 268
72 Robert Hughes 259
73 Ali Mazrui 251
74 Craig Venter 244
75 Martin Rees 242
76 James Q Wilson 229
77 Robert Putnam 221
78 Peter Sloterdijk 217
79 Sergei Karaganov 194
80 Sunita Narain 186
81 Alain Finkielkraut 185
82 Fan Gang 180
83 Florence Wambugu 159
84 Gilles Kepel 156
85 Enrique Krauze 144
86 Ha Jin 129
87 Neil Gershenfeld 120
88 Paul Ekman 118
89 Jaron Lanier 117
90 Gordon Conway 90
91 Pavol Demes 88 92 Elaine Scarry 87
93 Robert Cooper 86
94 Harold Varmus 85
95 Pramoedya Ananta Toer 84
96 Zheng Bijian 76
97 Kenichi Ohmae 68
98 Wang Jisi 59
99 Kishore Mahbubani 59
100 Shintaro Ishihara 57

E mais...
Clique no link abaixo para baixar uma coletânea de textos sobre maio de 1968.

Link

maio 07, 2008

Where have you been, Mr Bim?

O tempo é curto, o post também; a novidade tem alcance restrito mas é de redação obrigatória: saiu, pela MelBay o DVD acompanhado de partituras de várias peças do nosso maestro Antonio Brasileiro de Almeida Jobim arranjadas para violão pelo mestre Paulo Bellinati.
Inclui a deliciosa surfboard que toquei em público recentemente e que só agora vou poder confrontar com o arranjo de um mestre do violão brasileiro.
Trata-se de artigo obrigatório no acervo pessoal de quem quer que se interesse pela sonoridade instrumental popular (?) brasileira.
A bossa faz 50 anos e recebe este presente.
Parabéns a todos que vierem a adquirir esta indicação morfética.
Já encomendei o meu!
Aqui abaixo, os links para as 4 primeiras edições da Brazilian Guitar Magazine. Uma publicação de muito capricho e iniciativa de Julian Ludwig, que não conheço mas já virei admirador!
Não deixe de visitar o fórum coordenado por ele.
Antes que me esqueça, clique na imagem se quiser ir ao site da editora!

Fórum de Julian

Nº 1
Nº 2
Nº 3
Nº4

maio 04, 2008

Portando sonhos em Cachoeira com o berimbau de Waldir Azevedo!

Há uma semana atrás não haveria muitas entradas no google para os termos "Berimbau" & "Natalino" na mesma busca, mas agora...
Nos comentários do post anterior, Romeo explica onde reside a culpa de todos em que o nosso "Apologista da Harpa" tenha ido parar nos cargos que ocupou durante anos e feito o que fez coroando sua pré aposentadoria com o episódio de recente notoriedade.
Adicionaria ao seu arrazoado minha própria nosologia.
Trata-se do que costumo chamar de "Síndrome do síndico"
Esta síndrome caracteriza-se pela total irresponsabilidade no papel político de exercer o direito da escolha, chegando ao seu quadro mais grave quando do absenteísmo puro e simples nos processos eleitorais.
O idiota, mal-caráter ou maluco mais determinado estará lá para ser eleito, ocupar o cargo e perpetrar suas perversões.
Os ausentes e apáticos comporão então um coro de descontentes que apenas servirá de contraponto às imbecilidades do voluntarioso eleito (vide PSDB, DEM's e Cia).
Só como exercício de absurdo, imagino o que não faria o querido professor com uma caneta à mão caso fosse convidado para resenhar, quando dos seus respectivos lançamentos, alguns clássicos tais como:
Samba de uma nota só,
Brasileirinho (que Waldir Azevedo compôs em um cavaquinho de uma corda só!),
Bolero de Ravel (ostinato monótono em cima de um tema melódico repetido)
Ou mesmo Bim Bom de J. Gilberto...
"É só isso o meu baião, e não tem mais nada não..."
De pensar que o professor em questão é apenas a ponta do iceberg (ou melhor, do merdoberg!) que flutua à deriva nos corredores de sua faculdade natal (perdão pelo trocadilho, nada à ver com os queridos potiguares).
Imbecis de sucesso, pois chegaram ao ápice de usas existências como atravancadores do avanço, estes exemplares do setor de espécimes bizarros da acadêmia baiana são responsáveis pelo pior dos danos que uma sociedade pode sofrer: a intimidação das competências nascentes. Ninguém, de sã consciência, arriscaria seu projeto existencial para cumprir as liturgias de iniciação para uma arruinada universidade e ainda assim chegar lá e encontrar um colega como nosso professor.
Só aloprados e visionários inocentes terminam o check-in.
Na minha modesta opinião, não se precisa de nenhum deles!
Talvez esteja na atuação destes natalinos a razão de nossos papers científicos terem tão pouco impacto na imprensa acadêmica mundial, apesar do seu número crescente: eles, os papers, não são produção de mentes livres e comprometidas com a inovação e o bem-estar do ser humano!
Pouca gente lhes dá alguma importância.
Nossa tão propalada criatividade, por sua vez, não se traduz em patentes!
Que tal repensar este modelo?
Será que teremos de reinventar a roda?

O único saldo positivo da atuação do nosso professor é a correção de um dito racista nacional que, agora sim, às vésperas da sua aposentadoria, ganha sua redação retificada e definitiva:
"Idiota, quando não caga na entrada, caga na saída!"
P.S. Neste final de semana, Morpheuzinho pegou mala e cuia e foi prestigiar a escolinha de música mantida pela maçonaria da cidade de São Félix, às margens do Rio Paraguaçu. Uma maravilhosa experiência emoldurada pela hospitalidade dos anfitriões.
Além de acompanhar os amigos, apresentei munhas versões solo para violão dos clássicos Surfboard e Chovendo na Roseira do mestre Jobim.
Isto para não falar na maravilhosa "Portando Sonhos" de Osmar Macedo e Jairo Simões, que encerrou o show em apoteose e com olhos marejados por toda parte!
(Ouça à partir do player abaixo enquanto olha as fotos do fim do post)



Prometo considerar a hipótese de colocá-los aqui em video!
A hospedagem foi no Convento do Carmo, em Cachoeira (cidade na outra margem do rio)
Um excelente destino turístico para a família a qualquer momento em que se considere uma viagem de lazer.
Na volta, uma paradinha no "Frutos do Mar", restaurante na pequena localidade de São Braz - na estrada que liga Cachoeira a Santo Amaro - para conferir aquele, que na minha modesta opinião de glutão metido a besta, é a melhor cozinha baiana do planeta!
As mais perfeitas moquecas (e maniçobas também) deste planetinha acompanhadas do sorriso amabilérrimo de sua atenciosa proprietária, Tânia.
Se puderem, não deixem de conferir!
Abaixo, algumas fotos:

Cachoeira e Ponte Dom Pedro II vistas à partir da casa de Hansen Bahia, em São Félix



São Félix e a Ponte vistas à partir de Cachoeira
Igreja da Matriz, da qual fala a canção, vista à partir da praça.


Convento do Carmo em Cachoeira onde a morfética família ficou hospedada!



Restaurante Frutos do Mar, em São Braz. Fachada, interior e pratos: ensopado de ostras e moqueca de aratu!




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