julho 29, 2008

A gosto, eu não trabalho!

Recebi um puxão de orelha irado de Mme Zeca (querida mentora e figura de importância biográfica para este blogger) a propósito do post em que ratifico o atestado de óbito que já dei a muito tempo sobre a "academia"
Quer saber do mais...
Ela tá certa!
Alguém precisa acreditar que pode mudar as coisas, as instituições...fazê-las melhor.
Esses alguéns precisam ser jovens e carregarem dentro de si o bug das utopias!
Não serão os velhos mutilados, sinecuristas de plantão ou os profundamente conscientes os que vão começar alguma revolução bem-sucedida. Cabe à gente do bem, ainda que passada da idade, patrocinar as energias dos mais jovens e idealistas e administrar-lhes o caminho protegendo-os no que for possível.
Sim, é isso que se tem que fazer!
Nada de discursos nihilistas e desestimulantes.
O pessimismo realista ao qual às vezes se chega depois de alguma idade, não nos tiraria jamais do período neolítico para a sofreguidão por conseguir o novo iPhone!
O tempo segue e infelizmente este não é um blog teen ou mesmo dedicado à inspiração de futuros talentos. Trata-se apenas de um repositório de textos reflexivos e para-reflexivos de um Morpheus middle-aged.
Eu mesmo, esse Morpheus middle-aged, amargo à minha maneira, a constatação de que a opção existencial que constato ser à preferida no nosso país é a da alienação e do laissez-faire.
Esta, a mesma opção que está por trás do fracasso de todas as filosofias libertárias.
Para ser livre (uma vez que não se esteja) é necessário lutar!
Mas... quem lutaria se a prisão fosse minimamente confortável ou tão indigente a ponto de não haver energia disponível nem ao menos para alimentar uma revolta?
Muito complicado...
Alcatraz, a famosa prisão insular americana, disponibilizava água quente para seus internos - era a única prisão americana que fazia isto - com o intuito de criar aversão pela água fria do mar que cercava a ilha e que teria de ser atravessado em caso de fuga efetiva.
Quem quer ser livre não pode deixar-se ser "acostumado" com água quente!
Mãe só tem uma, qualquer outra pessoa que tenta imitá-la total ou parcialmente está querendo algo que você só daria pacificamente para aquela que trocou suas fraldas!

Mas quem disse que liberdade é um item básico para a humanidade?
Se estamos realmente condenados a sermos livres, como disse Sartre, livrar-se dessa condenação e da angústia que ela causa é, para muitos, paradoxalmente, renunciar à liberdade; alienar-se!
Este ano, a associação dos magistrados resolveu publicar em seu site a lista de candidatos com ficha suja, ou ao menos suspeita, na justiça. Nenhuma candidatura foi impugnada e... pior: a percentagem de eleitores que, pesquisados, declararam não terem a intenção de mudar seus planos de voto apesar de seu candidadato estar "sujo" dá a exata medida da propriedade das declarações de dois grandes brasileiros:
Nelson Rodrigues: "O povo é o vilão da história"
Pelé: "Brasileiro não sabe votar!"
Enquanto o povo segue narcotizado, as milícias, o narcotráfico e os colarinhos brancos já estão em efetiva campanha por seus candidatos.

O título de eleitor que o brasileiro ostenta como carteira democrática, me remete muito menos a um fator de orgulho que à imagem de uma criança bêbada que tenha em mãos uma carteira de habilitação para dirigir uma carreta.

País doido este nosso!
Randomicamente comentando en passant...
Há mesmo quem defenda que o nosso atraso no ranking da inovação tecnológica mundial se deva ao fato de buscarmos indevidamente o ineditismo em vez de dedicarmo-nos ao maquiamento de tecnologias já desenvolvidas!
Qual seria, para estes apologistas da falta de originalidade, a compreensão do termo decent person?
Ainda bem que os 3 brasileiros que estouraram a boca do balão no Eisner Awards deste ano - o Oscar dos quadrinhos - não pensam assim!

*****

Mas voltando a Mme Zeca, é bom lembrar que o querido Platão fundou sua academia longe da pólis ateniense porque não queria mais saber da cidade e de sua gente - povo e políticos!
Por aqui, o mesmo acontece, só que numa forma perversamente variante: a academia não é mais um tentáculo avançado da sociedade; remete muito mais a uma perna gangrenada inchada de professores que publicam pouco sendo que o pouco que publicam não é citado por ninguém além dos seu compadres.
O número decrescente de pessoas capazes e dispostas a enfrentar a liturgia da iniciação acadêmica é um fenômeno mundial.
Aposto 100 contra um que a vacina contra a malária, se é que vai sair um dia, sairá das pesquisas de uma fundação tal como a Bill e Melinda Gates Foundation.
Este é o caminho.
A academia foi fundada num ímpeto de rejeição à pólis - daí a expressão "amor platônico"-; ganhou importância e voltou a integrá-la; agora, é a sociedade que parece disposta a emplastrá-la no isolamento de um biotério.
A USP nossa universidade melhor ranqueada é apenas a 113ª do mundo! A segunda colocada dentre as brasileiras no último ranking mundial da Webometrics Ranking of World Universities, a Unicamp, é a 212ª.
Imagine onde estão as federais nordestinas!

Clique aqui
para ver o ranking das universidades brasileiras - na coluna extrema esquerda, a posição no ranking mundial.

Alex Atala inseriu seu restaurante D.O.M. entre os 50 melhores do mundo; Ou seja, pensamos melhor na cozinha do que nas universidades.
Não disse isso à última pessoa que me pediu opinião sobre seguir ou não carreira acadêmica aqui no nordeste, mas considero a empreitada - inclusive à luz deste raking - algo equivalente a carregar água num cesto em meio a um campo de tiro.
Para quem quiser saber, os rankings mais respeitados são os da Universidade Jiao Tong da China e o das publicações US News & World Report e o da Times (inglesa)

Mas agosto vem aí!
Manellis estará de férias e o Morpheus entrará em hibernação terapêutica até a entrada de Setembro.
Quando entrar setembro... (viva Beto Guedes, nosso George Harrison!)

Pretendo me meter numa fria,
Uma boa fria: temporada de snowboarding no Chile!
Ué, por que Chile, se a Argentina é mais perto?
O motivo está nesta última descoberta desta ciência vibrante e dinâmica chamada psicanálise: ao contrário do que pensava Freud, Lacan, Jung e outros menos votados, o EGO, esta coisa complexa que faz a gente fazer coisas abomináveis, não passa, na definição de seus decobridores, do Argentino que mora em nós!
Eu não quero ir pra um país onde os egos andam soltos pela rua, deprovidos de corpos biológicos e mal-educados que são, quando querem ser legais, perguntam: Que talllll?
Os meus planos de conhecer a Islândia foram adiados em função dos mesmos problemas enfrentados pelos protagonistas do excelente filme "Os Savages"
Não deixem de assistir, interessa a todos e a qualquer um!
Espero voltar inteiro deste meu mais novo embate com a montanha gelada,
Me aguardem!

Na mala de viagem, algum material que faço questão de indicar aos vistantes deste modesto rincão virtual:

Aí vai...
Acabei de tomar conhecimento de que um grupo de pessoas, com DNA cognitivo aparentemente semelhante, está tocando um projeto em muito semelhante ao que aparece nos meus delírios (queira Deus que meus delírios sejam tão modestos como minha discreta pessoa!).
Sob o acrônimo IFE - Instituto de formação e educação foi criada uma agremiação de pessoas interessadas em cultura e na promoção da evolução pessoal de seus membros.
Pensaram, montaram, estudaram, obtiveram suporte e agora botaram na praça a revista semestral Dicta e Contradicta que já foi referida como bastante promissora e quiçá uma congênere qualitativa da nova-iorquina The New Criterion - a bíblia magazínica da intelectualidade crítica da Big Apple na opinião de seus assinantes (bem os não assinantes...deixa prá lá!)

Abaixo, uma imagem do da The New Criterion para possíveis interessados visitantes
Este ano, a Nature publicou, em sequencia, nove excelentes textos sobre música que diponibilizo aos confrades pelo link abaixo.
Os ensaios são profundos, densos, curtos e incrivelmente acessíveis mesmo para os que não diferenciam notação musical de sânscrito.
Indeed, I strongly recommend!
Clique aqui para baixar o pack com os ensaios

Para ler entre uma queda e outra estou levando, além do meu exemplar da excelente D & C -Dicta e Contradicta comprada aqui mesmo em Salvador na Civilização Brasileira do Barra Center, o super recomendado - para você que além de foodie, se acha f*:

"O pedante na cozinha": O pedante na cozinha' não é um livro de receitas culinárias. Também não é um romance sobre um homem, que depois de fazer um curso de culinária na França, abriu um pequeno restaurante no Brasil e tem o dom de irritar seus candidatos a fregueses com uma infinidade de explicações pretensiosas sobre como são feitas as escolhas de ingredientes de cada prato e qual vinho combina melhor com o que se vai mastigar. 'O pedante na cozinha' trata de culinária, naturalmente, mas é, antes de mais nada, um livro sobre a arte de escrever. Julian Barnes usa sua própria experiência na cozinha para fazer uma espécie de resenha informal de vários livros ingleses de receitas culinárias.

Para finalizar,compensando o longo período distante das teclas, deixo aqui uma excelente coletânea (que também vai na bagagem) de textos sobre inflamação.
Clique aqui e confira

Como mída de áudio, levarei comigo a discografia completa do AC/DC, minha banda preferida e como não sou egoísta deixo um exemplo.
Clique na imagem ao lado para baixar o segundo disco desta turma endiabrada que fez a trilha sonora de grandes momentos da minha juventude. Um rock'n'roll verdadeiro, visceral, maravilhoso, adrenalizante &c, &c, &c.
Nota biográfica: meu primeiro porre de gin foi sonorizado pela música Ride On; já não lembro mais o nome da musa do porre; o gin e a canção, no entanto, ainda me são inesquecíveis!

A música faz parte de minha vida e posso dizer que consigo fazer praticamente qualquer coisa enquanto escuto música. Há, no entanto, 3 exceções a esta regra; 3 exemplares que me dão "Tilt": além de Baden e Armandinho Macedo, o AC/DC!
A canção Squeler, deste disco, é responsável por várias multas por excesso de velocidade.

Abaixo um Slideshow da banda com a canção Ride on



Como últimas recomendações não deixem de conferir:

Knol: O novo e wikipédico braço da Google

Darwin Awards: Site que homenageia idiotas que morreram estupidamente em nome de iniciativas imbecis contribuindo assim para uma certa depuração intelectual na espécie humana.
O nosso Padre dos balões, uma prova de que Deus não quer idiotas perto de si, é um típico homenageável no site.
Os relatos, todos confirmáveis, são hilários.

Falun Gong Site em português sobre a doutrina da seita chinesa de aperfeiçoamento mental. Proibida pelo governo chinês, temeroso do seu efeito emancipante e clarificador da mente.
Exercícios para impedir que seu organismo fique "remoso"!

Não deixe de conferir o material recomendado e até setembro se Deus quiser!

Ernie and Bert

Um pouco de Saudade prá matar as lembranças...
Well...
Ou seria...
Deixa pra-lá!
Tem muita coisa para a semana mas hoje vai só isto

julho 27, 2008

Em volta da mesa, não se envelhece!

Em volta da mesa
Congregam-se amigos
Todos sorriem
E em se silêncio se perguntam:
- Quem dentre nós seria o mais feliz?
- O anfitrião com sua mesa farta?
- NÃO, sua esposa está velha!
- Mas talvez ele, um dia, dela se desfaça...
-Não, não e não!

- Acho que deve ser o mais jovem de nós, afinal tem uma formosa companhia!
- NÃO, para ele estão reservadas as armadilhas da vida inclusive a possibilidade de ser por ela abandonado!
- Ora, talvez ele seja um sábio destes para os quais sempre sorri o destino...
-Não, não e não!

- Seria o filósofo com seu sorriso discreto e a sabedoria que o preservou das cicatrizes?
- NÃO, à mesma distância de tudo, ele não está perto de nada! não passa de um balão inerte repelido uniformemente pelas superfícies da vida!
- Mas ele vive, e a carne é a substância das paixões...
-Não, não e não!

- Só sobrou o artista! com sua arte ele pode se aproximar do que quer que o apaixone...
- Será? Ele me parece invejar a mesa do anfitrião, cobiçar a esposa do mais jovem e desdenhar silenciosamente do silêncio do filósofo... além do mais tudo que me parece querer é agradar aos outros!
- Talvez tenha razão, mas veja agora: ele toca, já não é apenas uma pessoa! Neste momento, ele exala o hálito perfumado dos anjos, ostenta a aura dos santos; como se fora um intrumento do divino, roça o veludo diáfano do prazer; as musas o acariciam e ele parece ao mundo, tudo saber sem que saiba coisa alguma! Sua arte parece alimentá-lo farta e frugalmente. Não me venha pois, com a idéia de que não há um "mais feliz".
Sempre há, sempre há de haver um "mais feliz"!

...###...

P.S. É domingo e meu forno está quebrado! Esta noite não tem pizza e a minha lazanha será finalizada no forninho elétrico que me desfalca na conta de luz mas me salva o almoço longe da possibilidade de ser pilhado numa blitz com a cara cheia de vinho na volta do restaurante. As feias que me perdoem, mas sem umas biritas... é mpossível!
O mais antigo e mais eficaz cosmético da humanidade está banido das baladas dos sem-chofer! Pelo menos até segunda ordem.
Uma lazanha heterodoxa veio à mesa:
Além das placas intercaladas de massa, uma base de espinafre escaldado e refogado com pecorino superposto por um mix de pimentões (verde amarelo e vermelho, como as lâmpadas dos semáforos!) associado a shitakes frescos em fatiados subpostos a uma camada de lascas de salmão grelhados previamente no forninho.
Permeando os nacos de salmão, molho básico de pommodori pelatti temperado com hondashi.
E finalmente, na cobertura, uma lâmina de mussarela de búfala (da marca Cabana de pedra) pinicada com brotinhos de tomilho!
Uma cava para equalizar a temperatura da boca,
Aprés tout, comme il faut...
Um bom porto vintage como escolta de um Montecristo N° 2,
Um café espresso com um blend da Costa Rica...
Voilá,
Je suis content...
Le temp est arreté!

PPS: Batizei esta lazanha de Marco Polo! Oriente e Ocidente sob um manto de queijo gratinado!

PPPS: Hoje, acordei cedo e assisti ao Globo Rural que quase me mata de saudade com uma maravilhosa reportagem sobre o Roquefort! Para mim, o rei dos queijos!
Lembrei-me de meu périplo do ano passado quando fuçei com calma curiosidade toda a metade sul da França!
Este ano as férias, infelizmente, serão restritas a viagens curtas e próximas por motivos de doença na família. Todos têem sua vez e esta é a minha
Resolvi colocar aqui os vídeos; assista e deleite-se!
Antes dos vídeos, fotos de momentos de deleite ao longo da viagem: um pacote de roquefort fresco repousa no painel do carro enquanto deleitávamos-nos com um sanduíche rústico e delicioso; o viaduto de Millau -a mais alta obra de engenharia em toda Europa; a cave degustação ao fim da visita à cooperativa Societé - a maior e melhor delas para se visitar.










Parte 01




Parte 02



Parte 03

julho 24, 2008

Rest in peace

O caso do pofessor, chefe de congregação, que tentou desancar o berimbau a partir de seu bunker no coração da Roma negra dos trópicos já se dissipou. Infelizmente esta criatura de nefasta biografia não representa um acometimento paroxístico e autóctone de nazismo heterotópico; metaforicamente, ele é apenas a ponta de um imbecilberg que singra nossas águas tropicais com notável blindagem térmica aos efeitos da estufa da modernidade. Ainda hoje, ouço defesas apaixonadas dos seus pontos de vista e da injustiça que sofreu ao ser linchado em cadeia nacional.
Tristes Trópicos
Enquanto isto, a descrença na academia como repositório da racionalidade aumenta sem pausas e talvez não nos chame tanta atenção porque já está em níveis subatômicos.
A troca de denúncias entre seus membros nos fóruns da legalidade é expediente corriqueiro e muito mais freqüente do que a redação de papers científicos capazes de mudar a realidade da comunidade.
Diante da impossibilidade de assumir a ponta da vanguarda, nossa academia parece ter optado pela ponta da retaguarda. Se a proa é inacessível fiquemos na popa!
Ontem, dia de plantão tive oportunidade de conversar com um dos membros da academia que considero portador de boas energias; qual não foi a minha surpresa em vê-lo opinar com o pior dos conceitos sobre outros poucos que também considero "gente do bem".
Fulano é um equivocado,
Sicrano é um aproveitador,
Beltrano é um sinecurista apático e patético
etc, etc, etc
Tsc, tsc...
A conclusão é triste pois vi que potenciais forças cosmogônicas são menos gregárias do que o mínimo desejável enquanto que as forças desagregadoras e parasitárias mostram sempre uma notável unidade de conceitos e objetivos.
O curioso nesta conversa que, para mim, terminou nesta sombria conclusão, foi o fato de ter sido iniciada a pedido de um terceiro colega que queria informaçãoes sobre pós-graduação, incentivado por este outro amigo.
Contei-lhe minha trajetória disse-lhe de minha posição atual sobre o tema e expliquei-lhe com exemplos como, aqui e ali, a sociedade está, à sua maneira e a seu ritmo, isolando a academia num plastrão de indiferença e dando-lhe um status de zoológico de aberrações.
A internet está aí e ninguém mais precisa de ninguém para saber tudo sobre qualquer coisa.
O livre pensar já é possivel a partir de uma conexão de banda larga e o alcance mundial de idéias individuais também a partir de um simples blog.
Não há mais fundamento para queixas e justificativaas para apatia, ignorância e isolamento.
Quem vive dizendo que tem o que dizer mas não diz nada porque não tem espaço, deveria ir para uma sessão espírita pois já desencarnou e não sabe.
O nihilismo colérico de natalinos em co-morbidade com sua apatia diletante é a verdadeira essência dessa nau de insensatez que já se encontra sob a mira das canhoneiras da modernidade; acho que, ainda em vida, testemunharei seu naufrágio com os olhos marejados de quem vê alguns bons marinheiros se afogarem sem nada poder fazer uma vez que purismos equivocados os tenham impedido de atuar sinergicamente contra o motim insidioso da mediocridade
Esta conversa, cujo relato anonimizado encerro aqui, foi mais uma pá-de-cal sobre o jazente e moribundo conceito que tenho sobre a nossa academia que muito pouco precisaria fazer para ser útil pois nada é mais fácil de melhorar do aquilo que está muito ruim.
Apesar de tudo, não desaconselhei o colega mais jovem da conversa a pós-graduar-se,
Afinal, não sou assassino de vocações!

P.S. Um dia hei de contar aqui, o dia em que pedi demissão da universidade e que teve o seguinte epílogo com a funcionária do setor de recursos humanos:

-...é doutor, a gente também achava que o senhor não ia durar muito; o senhor é muito frágil e isto aqui é como uma doença: tem uns que riseste e outor que num riseste (s.i.c)

Sem comentários....

julho 23, 2008

Melman e a modernidade depressiva dos homens sem gravidade

Neste próximo dia 31 teremos, no TCA, a presença de Charles Melman.
Considero a sua matriz temática como da mais alta importância para quem queira compreender a dita e contradita "Modernidade"e o seu mal-estar; um diagnóstico/clichê pouco compreendido e mal empregado.
Se você tem o passaporte do Fronteiras, apareça!
Tenho todos os motivos para acreditar que teremos uma noite de deleite intelectual.

Como isto não é um post scriptum (P.S.) - pois não está no fim - deixo aqui, como inter scriptum a indicação do site Archive com milhares de shows, imagens e textos numa proposta de compor um repositório cultural de livre acessso.
Vale a pena conferir.

Abaixo, uma entrevista com Melman
Seus pontos mais importantes são abordados num contexto que espero ver expandido na sua palestra no TCA.


O psicanalista austríaco Sigmund Freud (1856-1939) e o francês Jacques Lacan (1901-1980) provocaram uma revolução ao desvendar com mais profundidade o funcionamento da mente. Embora suas teorias continuem vigorando, o homem que eles analisaram tem diferenças fundamentais em relação ao cidadão do século XXI. Com o cuidado de não minimizar o conhecimento de seus antecessores, o psicanalista francês Charles Melman, 73 anos, está causando uma nova revolução na psicanálise com o livro O homem sem gravidade, gozar a qualquer preço (Ed. Companhia de Freud). Melman faz um retrato de corpo inteiro do novo homem, que põe o prazer à frente do saber e prioriza a estética em detrimento da ética. “O excesso se tornou norma”, diagnostica, com sua voz calma e pausada, à beira da piscina do Hotel Copacabana Palace, no Rio de Janeiro. Melman esteve na cidade participando de um seminário sobre os laços conjugais na modernidade. O evento, com o título Será que podemos dizer, com Lacan, que a mulher é sintoma do homem?, foi promovido pela associação psicanalítica Tempo Freudiano.

Apesar de ser um dos profissionais mais badalados do momento na psicanálise, seu tom nada tem de arrogante. Melman foi um dos principais colaboradores de Lacan, que o escolheu para dirigir a Escola Freudiana de Paris. Ele fundou a Associação Freudiana Internacional, que mais tarde passou a se chamar Associação Lacaniana Internacional. O psicanalista evita injetar julgamento nas conclusões alinhavadas em seu livro. São constatações sobre a vida moderna, na qual ele vê aspectos positivos, entre os quais a “formidável liberdade”, e negativos, como o processo de substituição das neuroses pela depressão. O que ele batiza como “nova economia psíquica” teria, entre outras coisas, transformado o sexo em uma mercadoria como outra qualquer. Até a morte perde sua sacralidade, segundo Melman. Para ele, a exposição sobre arte anatômica – que está correndo o mundo desde 1997 e exibindo cadáveres plastificados e suas entranhas – seria um forte indício dessa tendência. “A questão atual é exibir. Exibir as tripas, o interior das tripas, o interior do interior”, analisa.

ISTOÉ – O que é a Nova Economia Psíquica?
Charles Melman –
Hoje a saúde mental já não se origina mais da harmonia
com o ideal de cada um, mas do objeto que possa trazer satisfação. Não há
limites. Há uma nova forma de pensar, de julgar, de comer, de transar, de se casar ou não, de viver a família, a pátria e os ideais. Essa nova economia psíquica é organizada pela exibição de prazer e implica em novos deveres, dificuldades e sofrimentos. A partir do momento em que há no sujeito um tipo de desejo, ele se torna legítimo, e é legítimo esse indivíduo encontrar sua satisfação. A posição ética tradicional, metafísica, política, que permitia às pessoas orientar seu pensamento, está em falta. O excesso se tornou a norma.

ISTOÉ – Quais são os aspectos positivos e negativos disso?
Melman – Cada um pode satisfazer publicamente suas paixões contando
com o reconhecimento social, incluindo as mudanças de sexo. Há uma
formidável liberdade, mas ela é estéril para o pensamento. Nunca se pensou
tão pouco. O trabalho do pensamento é comandado por aquilo que produz
obstáculo. Mas nada mais representa obstáculo, não sabemos o que há para pensar. O sujeito não é mais dividido, não se interroga sobre sua própria existência. Como faltam referências, o indivíduo se vê exposto, frágil e deprimido, necessitando sempre da confirmação externa. Assim, o eu pode se ver murcho, em queda livre, gerando uma frequência de estados depressivos diversos.

ISTOÉ – Como o sr. descreveria o indivíduo nessa economia psíquica?
Melman –
A imprensa e a mídia substituíram as fontes de sabedoria de outrora.
Daí resulta um indivíduo manipulável e manipulado. Suas escolhas, opções e comportamento de consumidor é que organizam seu mundo. É uma forma de identificação que, me parece, não foi observada por Freud nem por Lacan.

ISTOÉ – De que forma se dá o rompimento do modelo gerador de neuroses desvendado por Freud – no qual a relação com o mundo é marcada pela ausência do objeto querido – e que consequências tem esse rompimento?
Melman –
Com o desaparecimento do limite, não há mais o sujeito do inconsciente de Freud, que se expressava por seus sonhos, lapsos e atos falhos. Se houve uma descoberta feita por Freud é a de que nossa relação com o mundo não se dá por intermédio de um objeto, mas pela falta dele. No complexo de Édipo o objeto em falta é a própria mãe. A pessoa precisava passar por essa perda para estabelecer suas identificações sexuais. Hoje, para se ter acesso à satisfação não é mais preciso passar pela perda, que era uma fonte de neuroses. Do conjunto de pessoas que se consultam nos serviços hospitalares, 15% são casos de depressão. Há, portanto, a emergência de um novo sintoma, a depressão, no lugar das neuroses de defesa.

ISTOÉ – O prazer sexual estaria se banalizando?
Melman –
O sexo realmente se banalizou. É encarado como uma necessidade, já que caiu por terra o limite que o tornava sagrado. Quando se fala em liberação sexual, não se fala mais no desejo. O homem contemporâneo trata o desejo sexual, de certa forma, como simples atividade corporal. A nova economia psíquica faz do sexo uma mercadoria entre outras.

ISTOÉ – De que forma a exposição sobre arte anatômica, apresentada desde 1997 e ainda correndo o mundo, influenciou suas idéias?
Melman –
Com essa exposição a morte deixou de ser sagrada. Passou a ser mais um bem de consumo. Os cadáveres, protegidos da putrefação por modernas técnicas, viram corpos plastificados expostos à visão. Algumas vezes com o interior do cérebro, do sistema digestivo e até um feto dentro do útero à mostra. Milhares de pessoas estão fazendo filas nos museus para ver a exposição. Estamos ultrapassando os limites. Até então, uma das características da espécie humana era destinar seus mortos à sepultura, com o respeito que costuma cercar a morte. A questão atual é exibir. Exibir as tripas, o interior das tripas, o interior do interior.

ISTOÉ – Então não há mais nada que choque as pessoas?
Melman –
Há sim, a pedofilia. Mas, de qualquer forma, os programas de televisão e a imprensa mostram os casos mais escabrosos em detalhes e todos se interessam por esse tipo de noticiário, como se fossem os fatos da atualidade. As jovens que foram violadas acabam sendo exibidas como mais um objeto.

ISTOÉ – Por que a figura paterna foi esvaziada, assim como o lugar da
autoridade de uma maneira em geral?
Melman –
O problema do pai, hoje, é que não há mais autoridade, ou a função de referência. Sua figura se tornou anacrônica. Nas famílias, o pai e a mãe passam a ter as mesmas atribuições, o que dificulta a identificação dos filhos com a figura masculina e com a feminina.

ISTOÉ – Por que o sr. diz que a vida política está desértica?
Melman –
Os jovens sempre foram revoltados com a injustiça social. Hoje, no entanto, eles só têm uma vontade: participar da vida social. Eles não protestam contra as injustiças. Querem apenas encontrar um meio de gozar logo os prazeres da vida social. Por outro lado, muitos cidadãos podem constatar que falta potência ao poder político diante das forças econômicas, verdadeiras ‘mestres’ da situação. Então por que se engajar na vida política se ela é impotente para corrigir as desigualdades e dificuldades da vida social? Hoje, acabaram as ideologias, as palavras de ordem e até mesmo as utopias. Os indivíduos preferem eleger pessoas que souberam gerir bem seus negócios. Não há mais confiança nos políticos.

ISTOÉ – Por que tanta desconfiança?
Melman –
Porque nessa sociedade permissiva todas as figuras de autoridade parecem abusivas, é como se não ocupassem mais o seu lugar. É a mesma coisa com o pai na família.

ISTOÉ – Quais são as características desse homem “sem gravidade”?
Melman –
Faltam ao homem de hoje qualidades que lhe seriam singulares. Temos mais a impressão de uma generalização dos traços que se tornaram comuns a todos os cidadãos. É como se eles tivessem mais ou menos as mesmas qualidades e defeitos.

ISTOÉ – Isso pode ser um dos resultados da globalização?
Melman –
Sim. Fui há alguns dias ao Chile, no deserto de São Pedro de Atacama. Lá há um oásis com três a quatro mil pessoas, a maioria de jovens originados do povo inca, que habitava a região. Pelo que se interessam esses jovens de origem indígena, no fundo do deserto? Pelos mesmos objetos de consumo oferecidos em Xangai, no Rio de Janeiro e em Paris. O que vale sua cultura de origem em relação a esse culto de objetos? Nada.

ISTOÉ – Como a estética está ocupando o lugar da ética?
Melman –
O número de jovens que querem fazer teatro é inacreditável, mesmo
os que já têm diplomas profissionais importantes. Por quê? A única maneira
hoje de ser aceito pelos outros é estar em cena, captar os olhares, agradar, ser sedutor, ou seja, a imagem de cada um é que se tornou decisiva para ser aceita e, eventualmente, para ganhar dinheiro. Esses progressos da estética são um ponto positivo da nossa cultura. Por que não? É agradável ver jovens esteticamente cuidados. Mas se torna um problema quando é o principal meio que eles têm para serem admitidos e reconhecidos.

ISTOÉ – O sr. diz que a corrida à juventude perpétua gera um sentimento de desamparo, de falta de referências, ansiedade e cansaço. Pode explicar melhor?
Melman –
Nossa nova economia psíquica é muito jovem. As gerações precedentes estão desorientadas pelos novos problemas. Ser jovem é dar testemunho de
que se participa dessa nova moral e inteligência. Mas, em geral, é bastante
difícil se manter nessa posição. Há, portanto, ansiedade no indivíduo pelo medo de não ser mais reconhecido e apreciado. Antigamente as pessoas idosas eram respeitadas por sua sabedoria. Hoje, são rejeitadas pela velhice dos valores morais, que já não interessam.

ISTOÉ – Quais as influências da publicidade sobre esse novo indivíduo?
Melman –
Os publicitários são muito inteligentes. Precisam transformar
o objeto de necessidade em objeto de desejo. Sabem que podemos nos desinteressar do objeto de necessidade rapidamente, mas o desejo é
permanente. Quer dizer, quando a publicidade quer vender um iogurte é
preciso apresentá-lo como um produto estranho, enigmático. A publicidade
tem um papel pedagógico, que vai no sentido da liberalização dos costumes.
E as crianças são muito sensíveis às suas mensagens.

ISTOÉ – O sr. diz que a mídia também tem um papel importante nesse contexto.
Melman –
Considerável. Como não temos mais grandes textos de referência, a mídia se tornou nosso meio para pensar. Ainda assim, a parte informativa dos jornais diminuiu muito em relação às simples notícias da atualidade. Só interessa ao leitor o que o toca, diretamente ou por ligação afetiva.

ISTOÉ – A nova psique, segundo o sr. diz, está criando também um novo fenômeno linguístico. Estaria surgindo uma nova língua?
Melman –
Os jovens se comunicam por torpedos (mensagens eletrônicas via celular) com uma nova escrita, que tende ao desaparecimento das vogais. O privilégio é das consoantes, com uma ortografia completamente livre, fundada na idéia de que o receptor é incapaz de decifrar minha escrita. É uma escrita que inventa cada frase em particular. Acredito que teremos em breve romances escritos com essa nova linguagem. Os efeitos disso ainda não são previsíveis, mas trata-se de um processo divertido e interessante.

julho 20, 2008

Para falta de perspectiva


Se você, como eu, sempre quis saber um pouquinho do bê-a-bá do desenho em perspectiva, dê uma olhada neste livrinho rápido e caceteiro:
Servirá mesmo até para os não-desenhistas que apreciam arte e vão ter com este livro uma noção sobre o ponto de vista do artista e o que ele quis dizer com a escolha do ponto de fuga.
São 203 páginas em inglês muito fácil de acabar em uma sentada.
Clique na capa para acceder ao link.
Até mais.

julho 17, 2008

Ancestrais do Manellismo

Êta aperto!
Uma excessiva falta de tempo me afastou dos posts por mais do que desejado.
Talvez não tenha praticado adequadamente o Manellismo estes dias!
Para que não me esqueça a que corrente sou filiado e para aproveitamento comum, vai abaixo um pequeno texto sobre este ancestral do Manellismo, Epicuro.

A boa vida

Uma vida feliz, doce e sempre digna de ser vivida é o desejo de todo ser humano razoavelmente são. Mas como conseguir tal vida se a todo instante somos acometidos por variados desejos nunca satisfeitos e aspirações frustradas pelas contingências ?
Epicuro nos ensina como conseguir tal coisa.
Curiosamente, ao contrário do que muitos pensam, Epicuro não pregava o prazer pelo prazer, nem a satisfação de prazeres imediatos. Associam o Epicurismo ao Hedonismo de forma totalmente equivocada. Epicuro faz clara distinção entre prazeres inferiores e superiores, colocando-os como sensíveis e espirituais, respectivamente.
Infelizmente, como na maioria dos filósofos gregos (excetuando-se Platão e Aristóteles - convenientemente preservados pela Patrística e pela Escolástica), restaram-nos poucos escritos de Epicuro, onde temos :

Sobre Física: Três Cartas, Quarenta Máximas, o Testamento e a Carta a Heródoto;

Sobre os Fenômenos Celestes : Carta a Pitocles

Sobre Ética : Carta a Meneceu.

Sua ética é poderosa e a Carta a Meneceu merece um destaque especial quando buscamos entender seus ensinamentos em relação à felicidade. Para Epicuro o prazer e a felicidade são os critérios condutores dos seres humanos e a problemática enfrentada em sua filosofia está em definir qual é o verdadeiro prazer e como maximizar o bem-estar pessoal.
Ele lembra que um prazer imediato e fortuito pode estar ligado muitas vezes a uma dor futura. Por isso ele submete à razão a busca pela felicidade. Para ele, somente entendendo suas necessidades reais, é que o homem poderá buscar racionalmente sua felicidade, vivendo no verdadeiro prazer que o conhecimento lhe confere.

Vejamos como ele entende as necessidades humanas, que para ele se dividem basicamente em 3:

1 Necessidades Naturais e Essenciais : aqui nos remete à hierarquia das necessidades de Maslow. São nossas necessidades básicas, fisiológicas, biológicas e sociais. (fome, sono, sexo, segurança, amor, realização pessoal, estima, etc).

2 Necessidades Naturais e não Essenciais : essas precisam, segundo Epicuro, serem buscadas com moderação e está intimamente ligadas à motivação que as desenvolvem. Se formos moderados e racionais, saberemos por exemplo, que nossa necessidade natural e essencial de realização pessoal, não pode estar ligada a um desejo de poder pelo simples poder, levado à cabo por orgulhos, vaidades, luxúria e etc. Ele elenca aqui também os exageros em relação à gula, bebedeiras e etc. Essas necessidades seriam uma variação supérflua das anteriores.

3. Necessidades Não Naturais e Não Essenciais : essas, segundo Epicuro, nunca devem ser buscadas. Possuem natureza artificial e se constituem como uma espécie de subprotudo (que pode até ser aceitável) da busca da felicidade real, pela razão, a ser empreendida em nossa vida. Aqui encontram-se a glória, sucesso, riqueza, saúde e beleza, por exemplo. Esses prazeres se constituem uma consequência de uma vida regrada e não em necessidades reais que podem determinar sua felicidade enquanto ser humano.

Alguns sábios conselhos desse filósofo para viver feliz e com prazer :

1. Os deuses existem e não se ocupam com os homens;
2. A morte não deve ser motivo de temor. Quando ela está presente, nós não estamos; quando estamos presentes, ela não está;
3. O sábio, assim como não procura os alimentos mais abundantes e sim os melhores ao seu corpo, também do tempo aprecia não o mais longo, mas o mais doce;
4. Devemos nos lembrar, ainda, que o futuro não é nosso nem inteiramente não nosso: não devemos aguardá-lo como se seguramente devesse chegar, e não devemos nos desesperar como se seguramente não pudesse acontecer;
5.Consideramos um grande bem a independência diante dos desejos, não porque é necessário ter somente pouco, mas porque, se não temos muito, sabemos nos contentar com pouco; profundamente convencidos de que goza da abundância com maior doçura quem menos dela necessita, e de que tudo que a natureza requer é facilmente econtrável.
Epicuro, com esses dizeres, nos exorta a administrar nossas necessidades. A partir desse ponto, quanto menos necessitarmos de algo, maior o prazer em obtê-lo, pois não o procuramos, não o desejamos. Esse pensamento, de desapego ao que não é necessário, desapego a desejos, fazem ecos no Budismo.

Sempre precisamos nos perguntar : é preciso ? Se racionalmente, honestamente e sinceramente a resposta for "Não", teremos algo de que não dependa nossa felicidade, ou pelo menos não deveria depender. Parece simples não é ? Mas não é... Existem necessidades criadas em nós, pelo meio, pelo sistema, pela mídia, e pelos grupos em que participamos em nossa vida em sociedade. A contemporaneidade transformou a nossa vida numa corrida incessante para satisfação de necessidades que em muitas vezes não são nossas, legítimas.

É revisitando velhos sábios filósofos que podemos ver o quanto estamos na contra-mão do bom-senso, muitas vezes pautando nossas vidas em necessidades ultrapassadas, em convenções e modismos, e deixando nossa felicidade nas mãos dessas necessidades. Pensem.... será que é possível tomar nossa felicidade por nós mesmos e encontrarmos um jeito de sermos felizes ? Pergunte a Epicuro.

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Abaixo, um de seus textos mais famosos:

A Carta a Meneceu

1. Sempre é tempo de filosofar, sejamos velhos ou jovens

Epicuro saúda Meneceu.

Quem é jovem não espere para fazer filosofia; quem é velho não se canse disso. Com efeito, ninguém é imaturo ou superado em relação à saúde da alma. Quem diz que ainda não é hora de fazer filosofia, ou que a hora já passou, parece-se com quem diz, em relação à felicidade, que ainda não é o momento dela, ou que ele já passou. Por isso, tanto o jovem como o velho devem fazer filosofia; um para que, embora envelhecendo, permaneça sempre jovem de bens por causa do passado, o outro para que se sinta jovem e velho ao mesmo tempo, para que não tema o futuro. É preciso, portanto, ocupar-se de tudo o que leva à felicidade, se é fato que quando ela está conosco, possuímos tudo, e que, quando não está conosco, fazemos de tudo para obtê-la.


2. Os deuses existem e são imortais e felizes

Pratica e medita aquilo que te ensinei continuamente, convicto de que se trata do abecê para uma vida feliz. Em primeiro lugar, considera que a divindade é um vivente incorruptível e feliz, como a noção comum do divino costuma aceitar, e não lhe atribuas qualquer coisa estranha à imortalidade ou de pouca consonância com a felicidade. Em relação à divindade, pensa tudo o que serve para preservar sua felicidade unida com a imortalidade. Os deuses existem de fato e o conhecimento que deles se tem é evidente. Eles, porém, não são como a maioria os crê, pois não continuam coerentemente a considerá-los como os concebem. Ímpio não é quem nega os deuses como a maioria os quer, e sim aquele que atribui aos deuses as opiniões que deles tem a maioria. Com efeito, as opiniões da maioria sobre os deuses não são prolepses, mas enganosas hipolepses (Conceito inadequado, fundado sobre a opinião corrente). Daqui se segue que dos deuses se fazem derivar para os homens as razões de todo maior dano e de todo bem; os deuses, com efeito, entregues continuamente às suas virtudes, são queridos por todos os seus semelhantes, mas rejeitam como estranho tudo o que não é semelhante a eles


3. O que é a morte para o homem

Habituados a considerar que a morte é nada para nós, do momento que todo bem e todo mal reside na sensação, e a morte é privação de sensação. Por isso, a noção correta de que a morte é nada para nós, torna alegre o fato de que a vida seja concluída com a morte, não lhe concedendo um tempo infinito, e sim lhe subtraindo o desejo da imortalidade. Não há nada de terrível na vida para quem tenha compreendido bem que não há nada de terrível no fato de não viver mais. Por isso, é tolo quem diz temer a morte, não porque trará dor ao momento em que ela se apresentar a nós, mas porque nos faz sofrer na sua espera; com efeito, tolamente pode causar sofrimento na espera, ao mesmo tempo em que não faz sofrer com sua presença.

Portanto, o mal que nos faz ter arrepios, ou seja, a morte, é nada para nós, a partir do momento que, quando vivemos, a morte não existe, e quando, ao contrário, existe a morte, nós não existimos mais. A morte, portanto, não se refere a nós, nem quando estamos vivos, nem quando estamos mortos, porque para os vivos ela não existe, e os mortos, ao contrário, não existem mais. Os outros, por sua vez, fogem por vezes da morte como do pior dos males, outras vezes a [procuram] como alívio [das desgraças] da vida. [O sábio, ao invés, nem rejeita a vida], nem teme o não viver mais; com efeito, a vida não lhe é molesta, e ele também não crê que a morte seja um mal. Assim como para o alimento, ele não se serve dele em abundância, mas escolhe o melhor; também não procura gozar o tempo mais longo, mas o melhor.


4. Indicações sobre o modo de entender a vida e o futuro

E quem exorta o jovem a viver bem, e o velho a concluir bem a sua vicissitude mortal é um tolo, não só por tudo o que é digno de aceitar da vida, mas também porque uma só é a reta preparação para bem viver e para bem morrer. Ainda pior é o que diz: “[...] não nascer é ótimo, mas, se nascidos, passar o mais depressa possível pelas portas do Hades”. (Teognides (séc. VI a.C.))

Se tal pessoa está mesmo convencida do que diz, por que não morre imediatamente? É seu legítimo direito fazê-lo, se de fato está convicto disto; ao contrário, se quer brincar, age como tolo em coisas que não comportam brincadeira. É preciso lembrar que o futuro não é inteiramente [nosso], nem inteiramente não nosso, para não esperar que absolutamente tenha de se realizar, nem desesperar, como se absolutamente não tenha de se realizar.


5. Como é preciso julgar os prazeres e as dores

É necessário depois pensar por analogia que alguns desejos são naturais, outros vãos; entre os naturais, alguns são necessários, outros são simplesmente naturais. Depois, dos necessários alguns são tais em relação à felicidade, outros são assim em relação ao bem-estar físico, outros ainda em relação à própria vida. Com efeito, uma sólida noção de desejo sabe guiar cada escolha e cada rejeição para a saúde do corpo e para a ataraxia da alma, uma vez que justamente este é o fim da vida feliz. Com efeito, justamente com este escopo fazemos de tudo, a fim de não experimentar nem sofrimento nem perturbação. Uma vez que isto se verifique em nós, toda tempestade da alma se aplaca, porque o ser humano não sabe que outra coisa desejar que lhe falte, nem que outra coisa pedir para tornar pleno o bem da alma e do corpo. Sentimos necessidade do prazer, quando sofremos pela sua falta, [quando, ao contrário, não sofremos], então não temos nenhuma necessidade do prazer.

Por estes motivos, dizemos que o prazer é princípio e termo último de uma vida feliz. Com efeito, sabemos que o prazer é o bem primeiro e conatural a nós, a partir do prazer permitimos toda escolha e toda rejeição, e al prazer nos reportamos para avaliar todo bem com a sensação assumida como norma. E, a partir do momento que este é o bem primeiro e conatural a nós, justamente por isto não aceitamos todo prazer, mas acontece o caso de que descuramos muitos deles,quando disso provier um incômodo maior; e assim consideramos que muitas dores são preferíveis aos prazeres, no caso que um prazer maior nos toque depois deter resistido longamente ao sofrimento. Todos os prazeres, portanto, porque têm uma natureza congênita a nós, são um bem, todavia, porém, nem todos devem ser aceitos. Da mesma forma, toda dor é um mal, todavia, porém, nem todas são de tal gênero que delas devêssemos fugir sempre. É preciso julgar tudo isso em base ao cálculo e a uma visão geral da utilidade e do dano.Com efeito, podemos experimentar que o bem, por certo tempo, é mal, e, vice-versa, que o mal pode ser um bem.


6. A independência em relação aos desejos

Também consideramos um grande bem a independência em relação aos desejos, não com o escopo de gozar apenas um pouco, mas porque se não temos o muito, nos possa bastar o pouco, corretamente convictos de que melhor goza da abundância quem menos sente a sua necessidade, que tudo o que é requerido por natureza é facilmente obtenível, e tudo o que, ao contrário, é vão, dificilmente se adquires, que os alimentos frugais produzem um prazer idêntico ao de uma farta mesa, quando eliminarmos a dor da necessidade, e que pão e água oferecem o máximo dos prazeres, quando deles se serve quem deles tem necessidade.


7. Como devemos entender o praze e a sua ligação com a virtude

Portanto, o hábito de um alimento simples e de modo nenhum refinado,de um lado confere saúde, do outro torna o homem alegre nas ocupações necessárias da vida, e se nós nos aproximamos, de vem em quando, a um teor de vida suntuoso, nos dispomos melhor em relação a ele, e ficamos sem medo do destino. Por conseguinte, quando dizemos que o prazer é o fim último, não pretendemos falar dos prazeres dos dissolutos e nem dos que consistem na crápula, como afirmam aqueles que não conhecem, não partilham ou mal entendem nossos princípios, e sim, ao contrário, pretendemos falar da falta de dor no corpo e da falta de perturbação na alma. Com efeito, não são os simpósios ou os banquetes contínuos, o aproveitar de jovenzinhos e mulheres, ou o peixe e tudo o que pode oferecer uma rica mesa que levam a uma existência feliz, e sim uma límpida capacidade de raciocínio que esteja consciente de cada aceitação e de cada rejeição, e elimine a vacuidade das opiniões, pelas quais a pior das perturbações surpreende a alma.

De tudo isso, o princípio e o bem supremo é a prudência que, justamente por isso, constitui algo de ainda maior valor da filosofia. Dela se originam todas as outras virtudes, e ela ensina como não é possível uma vida feliz sem que seja sábia, bela e justa, [e também que seja sábia, bela e justa] sem que seja feliz. As virtudes, com efeito, são conaturais à vida feliz, que, por sua vez, não é separável das virtudes.


8. A causa do bem e do mal está no próprio homem

Por outro lado, a quem consideras melhor do que aquele que tem idéias santas sobre os deuses, que não tem medo algum da morte, que conhece a fundo o fim natural, que tenha firme consciência que é fácil realizar e prático alcançar o limite extremo do bem, enquanto o limite extremo do mal tem tempo e penas breves? Ou de quem proclama que [o destino], por alguns considerado senhor absoluto de tudo [...]? [...] em parte acontecem por necessidade [...[, em parte, ao contrário, pelo capricho da sorte, outros ainda estão em nosso poder, porque se constata que a necessidade é irresponsável, a sorte é instável, ao passo que aquilo que está em nós é livre e, por isso, ligado a zombaria e a elogio. Na realidade, era melhor ater-se ao mito que circunda os deuses, em vez de servir o destino dos físicos. Com efeito, o primeiro subentende a esperança de aplacar os deuses, honrando-os; o segundo, ao contrário, conserva toda a implacabilidade do necessário. [O sábio] não crê que a sorte seja um deus, como pensam os demais (com efeito, nada é realizado desordenadamente pela divindade), e nem que ela seja uma causa vaga; com efeito, o sábio [não] pensa que bem e mal, no que se refere à vida, sejam concedidos aos homens pela fortuna, e que todavia o início dos grandes bens e dos grandes males se encontre sob a influência dela. Ele pensa finalmente que é melhor ser desafortunados com um pouco de sabedoria, ao invés de afortunados sem qualquer sabedoria, porque nas coisas humanas é melhor que uma reta decisão [não] seja coroada pela fortuna, em vez de [uma decisão errada] o ser.

Rumina contigo mesmo, dia e noite, estas argumentações e outras ainda semelhantes a elas, discute também com quem está próximo de tuas posições

julho 13, 2008

Cuidado troianos!

Um domínio ainda virgem das invasões dos piratas de rede acaba de ser invadido.
Leia com atenção a notícia abaixo e fique ligado.
Um novo cavalo-de-tróia ataca redes de compartilhamento P2P e infecta arquivos MP3, WMA e WMV, entre outros.
Segundo a empresa Secure Computing, o invasor, batizado como Trojan.ASF.Hijacker.gen, infecta arquivos de mídia na máquina da vítima, usando o ASF (Advanced Systems Format), formato da Microsoft para streaming de áudio e vídeo. O ASF é parte das definições Windows Media.
Quando o usuário tenta executar um arquivo infectado, abre-se uma caixa de diálogo que lhe pede que lhe pede para rodar um codec que estaria faltando para ser possível abrir o arquivo. Nesse momento, outros programas maliciosos são instalados.
O Hijacker.gen é capaz de converter arquivos MP2 e MP3 para WMA. Nos arquivos de áudio convertidos, fica injetado o comando nocivo que redireciona o Windows Media Player para solicitar o download do falso codec. O arquivo depois passa a ser executado normalmente, para que o usuário não desconfie, mas o cavalo-de-tróia já está ativo no sistema.
Ao infectar arquivos de mídia, o objetivo dos autores do Hijacker.gen é disseminá-lo em redes P2P. Portanto, é preciso ter cuidado com arquivos MP3.

P.S. Abaixo, para quem não viu, o Globo Repórter sobre a Turquia; uma viagem feita tmbém por Morpheus e que considero imperdível aos que tiverem condições.




E para meditar...

O amor é como capim: você planta e ele cresce. Aí vem uma vaca e acaba com tudo.'

Estamos numa época em que o Fim do Mundo não assusta tanto quanto Fim do Mês'

Status é comprar uma coisa que você não quer, com um dinheiro que você
não tem, para mostrar pra gente que você não gosta, uma pessoa que você não é.

Galileu, quando afirmou que o mundo girava, ele simplesmente afirmou o que os bêbados já sabiam.'

Roubar idéias de uma pessoa é plágio... Roubar de várias, é Monografia'

Nas horas difíceis da vida você deve levantar a cabeça, estufar o peito, e
dizer de boca cheia: Agora F*d*u...!!!'

Não há melhor momento do que hoje para deixar para amanhã o que você não vai fazer nunca'

Organismo remoso, a missão

Um dia, na alvorada dos tempos um hominídeo se cansou de ser infectado por um protozoário parente da malária e sofreu uma mutação que jogou fora a chave que este inimigo usava para acabar com a nossa saúde.
Esta chave era uma molécula de acoplamento que, não obstante ter desaparecido no Homo sapiens
permaneceu nos "outros" macacos!
Seria esta nossa grande diferença em relação a eles?
Esta molécula desapareceu da nossa bagagem genética mas é ingerida aos borbotões quando comemos carneiro, porco ou carne de boi. E agora?
Parece que um monte de pessoas têem anticorpos contra esta molécula, uma potente desencadeadora de reações inflamatórias em nosso corpo.
Inflamação é uma aceleradora do envelhecimento e uma patrocinadora eficaz das doenças degenerativas, auto-imunes e do...câncer!
Algumas neoplasias humanas já foram ligadas ao consumo de carne vermelha, notadamente: próstata e cólon.
Veja baixo a íntegra do material que discute este tema:

Human evolution: Details of being human
A difference in one molecule led physician Ajit Varki to question what sets humans apart from other apes. Bruce Lieberman meets a man who sees a big picture in the finer points.


The human body does not welcome an injection of horse serum. Ajit Varki discovered this when, as a young San Diego doctor in 1984, he administered some to a woman with bone-marrow failure. The serum was a standard treatment intended to stop the woman's T cells from destroying her bone marrow. But it was also known to prompt a reaction called 'serum sickness' and, sure enough, the patient broke out in hives a week after treatment — the result, Varki assumed, of her immune system's assault on proteins from another species.
Soon after observing his patient's reaction, Varki learned that proteins weren't the only thing to blame. So were sialic acids, sugars that carpet the surface of mammalian cells. Some studies had suggested that the human immune system reacted against one sialic acid called N-glycolyl neuraminic acid (Neu5Gc) in the horse serum. “How can that be?” Varki remembers thinking. “How can you have a reaction against sialic acid? It's everywhere. All mammals have sialic acid.” Varki wondered whether humans might in fact be the only mammal that lacked Neu5Gc.
A physician and biochemist by training, Varki had already embarked on a career in the relatively new field of glycobiology, the study of the sugar chains that decorate many proteins and lipids inside and outside the cell. But it was another 14 years before he got the chance to answer his original question. In 1998, he and his colleagues used high-performance liquid chromatography to analyse blood samples from chimps, bonobos, gorillas, orangutans and humans. They found that humans are indeed the only primates missing Neu5Gc1 and that human cells are instead rich in another sialic acid, N-acetyl neuraminic acid (Neu5Ac).
A career in evolution
These findings started Varki off on a road that led to his becoming not only a leading glycobiologist but a respected 'honorary' palaeo-anthropologist. He is one of the co-founders and directors of the multidisciplinary Center for Academic Research and Training in Anthropogeny (CARTA) — a research collaboration between the University of California, San Diego, and the Salk Institute in nearby La Jolla. The centre was launched in March this year with a US$3-million grant from the G. Harold & Leila Y. Mathers Foundation, based in New York state.
The 'Anthropogeny' in the centre's title resurrects a term for the study of both the evolution and the individual development of human beings that would have been familiar to earlier generations of anthropologists. To Varki, the word encapsulates some of the biggest questions in the study of human origins, such as how, why and when the human brain evolved its present functions. One of his latest research projects is a collaboration with Spanish palaeontologist Juan Luis Arsuaga, of the Complutense University of Madrid, for the biochemical analysis of 900,000-year-old Homo antecessor fossils from Atapuerca in northern Spain, some of the oldest hominid bones yet found in Europe. What Varki is looking for is evidence that Neu5Gc was lost very early in human evolution. He believes that the fact that humans, and only humans, have lost Neu5Gc could be implicated in the emergence of hominid species.
The journey from glycobiologist to director of a multidisciplinary human origins centre has been fuelled by Varki's insatiable desire for knowledge. “The guy is just an encyclopaedia,” says glycobiologist Mark Lehrman at the University of Texas Southwestern Medical Center in Dallas. “Even though he wasn't trained in anthropology, he's been able to educate himself in this area and become an authority. It's a remarkable gift to be able to do that and do it well.”
Varki initially trained as a general medical doctor at the Christian Medical College in Vellore, India. To pursue a dual medical and research career, he went to the United States, eventually taking up a fellowship under Stuart Kornfeld at Washington University in St Louis, Missouri, in the late 1970s.
Kornfeld was beginning his work on sugar chains, including sialic acids, and Varki was intrigued by the opportunity to contribute to a largely unexplored area of biology. In 1982, he set up his own glycobiology lab at the University of California, San Diego, where he still works today.

On a molecular level, the difference between Neu5Gc and Neu5Ac is tiny — a single added oxygen atom perched on one arm distinguishes one from the other (see graphic). But on a biological level, the difference could be enormous. “We thought if monkeys and all of our closest relatives have Neu5Gc and humans don't, then there must be a molecular basis for that,” Varki says. He subsequently found it in an enzyme that converts Neu5Ac to Neu5Gc, but which is disabled by mutation in humans2.
Selection pressure
Varki's discovery pointed to a definitive difference that set chimps and humans biochemically apart, says Morris Goodman, an evolutionary biologist at Wayne State University in Detroit, Michigan. It was one of the first such differences to be found, and because sialic acids serve many biological roles, primarily as cell-recognition and cell-adhesion molecules, it might explain some of the unique aspects of human biology. “What we're dealing with here is a gene loss that has an effect throughout the whole body,” says Goodman.
At the time, Varki realized he knew little about human evolution except what he'd learned as an undergraduate or read in National Geographic. So he set out to educate himself. He took a short sabbatical at the Yerkes National Primate Research Center in Atlanta, Georgia. Reviewing the animals' medical records with a veterinarian, he learned that the centre had never seen a case of rheumatoid arthritis or bronchial asthma — common conditions in humans. Chimpanzees don't get sick from the human malaria parasite, Plasmodium falciparum. Conversely, humans can't be infected with P. reichenowi, the malaria parasite that plagues chimpanzees.

In subsequent work, Varki and his team showed that the different susceptibilities were due to the differences in sialic acids. P. reichenowi prefers to grab hold of Neu5Gc on chimp red blood cells, whereas P. falciparum favours Neu5Ac3. The researchers hypothesized that the selection pressure to evade P. reichenowi may have led humans to lose Neu5Gc and acquire resistance to this parasite — and that this loss may have helped to fuel the emergence of P. falciparum, which could gain entry by latching onto Neu5Ac instead. Other discoveries in Varki's lab — including ten other human-specific genetic changes affecting sialic acid function — may help to explain uniquely human vulnerabilities to conditions such as Alzheimer's disease and multiple sclerosis.
Varki's interest in human evolution soon extended far beyond chimps and their sugars. “I found he was talking with several people on campus,” says neuroscientist Fred Gage at the Salk Institute, a long-time collaborator and friend. “I told him that it wasn't fair that he would have these one-on-one conversations and not share what was being talked about,” he jokes.
Reimagining anthropogeny
Gage encouraged Varki to organize a series of informal seminars on human origins at the university. Between 1998 and 2007, the Project for Explaining the Origin of Humans drew in anthropologists, primate biologists, geneticists, immunologists, neuroscientists, linguists and many others. They discussed topics ranging from the evolution of language to the differences between humans, Neanderthals and Homo erectus, the first hominid to leave Africa. Goodman says the interdisciplinary nature of the series made it extremely important to the field. “You really had the chance to explore an issue as it relates to the evolutionary origins of our species,” he says.
Varki's motivations were partly selfish: “One of my goals, my secret agenda, was to educate myself,” he admits. “At the last meeting I asked the people who attended if I could have a bachelor's degree in anthropogeny.” Varki estimates that he has listened to more than 300 talks on various aspects of this discipline. “The idea is the linguist needs to talk to the molecular biologist who needs to talk to the neuroscientist who needs to talk to the psychologist and philosopher about these issues,” he says. “Most areas of human knowledge are somewhere relevant.”
CARTA is a successor to the human origins series. Directed by Varki, Gage, Margaret Schoeninger, a professor of anthropology at the University of California, San Diego, and Pascal Gagneux, a primate biologist and Varki's close collaborator, the centre already has some 40 San Diego-based members and more than 100 in the rest of the United States and elsewhere in the world.
CARTA aims to foster connections between these researchers worldwide, facilitate access to resources for great-ape research, develop a peer-reviewed journal and offer courses on human origins. The project is in some ways comparable to the Leipzig School of Human Origins in Germany, an interdisciplinary PhD programme run jointly by the Max Planck Institute for Evolutionary Anthropology in Leipzig and Leipzig University since 2005. Varki says that CARTA will be more of a virtual organization and that “the effort should transcend disciplines”, pointing as an example to his own work on sialic acids, which has required collaboration between biochemists, palaeontologists and physicians.
Acid test
Back in the lab, Varki and Gagneux will in the next few months embark on the preliminary analysis of animal fossils from Atapuerca, to see if they can detect preserved sialic acids using high-performance liquid chromatography and mass spectrometry. If so, sialic acids are likely to be preserved in hominid fossils from the same strata and the researchers will test those next.
“Palaeontologists are usually seen as people interested in something that is finished and belongs to the past,” Arsuaga says, “and usually the idea is missed that we are looking for an explanation of living humans.” He says he was persuaded to let tests be done on the precious H. antecessor fossils because “the damage is not big” from current techniques that drill small amounts of powder from inside the bone.

Varki and Gagneux hope that these fossils may help to answer some grand hypotheses about Neu5Gc and its role in human evolution. They estimate that the mutation that caused the loss of Neu5Gc first appeared among human ancestors 2 million to 3 million years ago, which coincides with the emergence of H. erectus, and they believe that pathogens such as malaria may have initiated this change. They wonder whether the change in this ubiquitous sugar could have had other broad-ranging biological effects that helped create repro-ductive isolation between those with Neu5Gc and those without, and whether these effects could have contributed to the emergence of H. erectus, followed by H. antecessor. “Losing Neu5Gc may have been great for survival, but it may have forced you to forgo reproduction with a whole group of your former buddies who didn't undergo this change,” Gagneux says. If they can show that Arsuaga's H. antecessor fossils also lack Neu5Gc, this will be yet more evidence in support of their hypothesis.
If ancient humans can't answer the speciation hypothesis, then perhaps mice will help. Varki and Gagneux have genetically engineered mice that lack the Neu5Gc sialic acid that humans are missing and Varki says that they display subtle human-like features4. Compared with wild-type mice, they have poor hearing, somewhat reminiscent of human age-related hearing loss, and slower wound healing, as do humans compared with non-human primates. Further studies should reveal whether these mice are able to reproduce with wild-type animals that still have Neu5Gc.
Varki's recent work has brought him back to the immune reaction he observed nearly 25 years ago. Even though humans don't make Neu5Gc, it is eaten in animal products that contain it, such as meat and milk. Varki and Gagneux wonder whether — among meat-eaters at least — Neu5Gc elicits an immune reaction that might contribute to a whole spectrum of human-specific diseases that are associated with chronic inflammation, including heart disease and cancer. Such diseases would not have been such a problem when humans had shorter life spans.
Food for thought
To test the idea, Gagneux took a trip to a local Whole Foods Market, loaded up a shopping cart with meat and dairy products and took them back to the lab for analysis. The researchers found the highest levels of Neu5Gc in lamb, pork and beef. “We swallowed big bowls of that and we collected every possible sample we could from ourselves in the following few weeks to see whether it shows up in our own glycoproteins,” Gagneux says, “and the answer is yes, it does.” The team has also found that many people carry antibodies targeted against the sugar5.
If their hypothesis holds up, it will illustrate how selection pressures change: where once selection favoured the loss of Neu5Gc to protect hominids from pathogens, now its absence could be making humans susceptible to other diseases. “Once you've lost it, you have to make do with what you have,” Varki says.
For Varki, who began his professional life observing patients, these studies have brought him full circle. The molecules that made humans human may be the same ones that make us uniquely vulnerable to our most threatening diseases. “In some cases, they would be what I call the scars of our evolution,” Varki says. “My experience has opened my mind to the fact that understanding human evolution, where we came from, is very important to understanding who we are and where we're going.”

Bruce Lieberman is a freelance science writer based in San Diego.

julho 07, 2008

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One day, somebody's got give!

P.S. Abaixo, um pequeno tutorial para hackear seu itouch e instalar programas off-label.

Como instalar programas, não autorizados pela Apple, no iPhone?

Leia na Superinteressante a matéria "Invadiram o iPhone", em Superfetiche, e conheça os programas mais divertidos para o telefone da Apple.

ATENÇÃO: A Super testou o desbloqueio. Funcionou, mas lembre-se: é um procedimento de risco, capaz de estragar o aparelho (iPhones já desbloqueados via chip, por exemplo, podem deixar de funcionar ao receber o software abaixo). E a Apple se recusa a reparar aparelhos desbloqueados.

Como instalar os programas

Softwares como o Pianist e o Tunewiki são feitos por programadores independentes. Só funcionam em iPhones e iPod Touchs desbloqueados. Para fazer o desbloqueio, siga as instruções:
1) Vá ao site www.ziphone.org e baixe o programa ZiPhone pro seu micro.
2) Conecte o aparelho ao seu micro e inicie o software.
3) Em alguns segundos, aparecerá um novo ícone no aparelho, o do programa Installer.

Agora, veja como encontrar os softwares:
1) Conecte o aparelho a uma rede Wi-Fi e clique no ícone do Installer
2) Clique em Instal, depois em All Packages e digite o nome do programa que quiser no campo de busca.


Para encontrar mais programas, veja em www.appleiphoneschool.com/category/ifob.

Nota: nem todos os programas estarão prontos para baixar no seu aparelho. Caso você não encontre algum, vá ao site acima e procure a fonte (“source) do software que quiser. Então pegue o endereço dela e digite insira no campo “Sources” do Installer – é só clicar em “Edit”, depois em “Add” e teclar o endereço no campo de busca.

julho 06, 2008

Há cinqüenta anos

Há mais ou menos 50 anos parecia que o criador só tinha olhos para nós
Lá fora o mundo vivia ameaças contínuas de se acabar
Sob a guerra fria que precedeu o efeito estufa
Mas aqui...
Pelé e Garrincha!
A copa do mundo era nossa.
Maria Esther ganhava Wimbledon
Éder Jofre batia em todo mundo
JK estava em pleno vapor
Brasília, um sonho, estava em gestação
Televisão
Carros nacionais
O Rio era lindo e tranqüilo
Três maestros haveriam de marcar definitivamente nossa MPB
Gnatalli, Jobim e Duprat!
Jacob era o tal e descobria Elizeth como um garimpeiro que acha uma pepita
O bando da Lua tinha um Garoto que reinventou o violão e lamentavelmente ainda é pouco compreendido
O petróleo era nosso
A amazônia não era de ninguém
A Bahia era a Boa Terra
E Salvador era apenas e tão somente, a Cidade da Bahia
Glauber (achem o que quiserem!) e o Reitor Edgar Santos colocavam um tempero diferente na moqueca.
Carybé e Verger espelhavam nossa identidade
Jorge Amado a descrevia no papel
A lagoa do Abaeté parecia uma imensa pupila/íris de um olho telúrico enamorado da Lua cheia
João industriava a sua batida sincopada
O Carnegie Hall era só uma questão de tempo
Quanta coisa!
Nelson Rodrigues nos convocava ao auto-exorcismo do endêmico "Complexo de Vira-lata"
Seríamos a elite dos mestiços?
Darwin já tinha falado mal de nós
De Gaule também?
Dizem que ele nunca disse aquilo que se diz que ele disse!
Era o momento de contradizê-los
O mundo não nos conhecia
Nem como bons nem como maus
Mas aí veio a revolução
Que também tocou meu coração
E o do grande irmão do norte
Que se chateou com a perda de seu balneário e com o confisco de umas empresinhas
A partir de então
Como o diz o ditado,
Ditadores para todos!
Seria instituída em nosso país, a felicidade oficial
Eu era apenas uma criança e em nada via o mal
Quando vejo hoje nos jornais que Ingrid Betancourt foi resgatada por um grupo do exército colombiano que usava, como elemento de disfarce, camisas com a famosa estampa de Che...
Sem comentários!
Ainda ganharíamos a Jules Rimet, depois roubada e derretida numa cerimônia que, dizem, contou com a presença do Capeta em pessoa
A Taça e o futuro dourado de um país iam liturgicamente para o vinagre...
Há cinqüenta anos o destino parecia nos sorrir
Hoje, se é que não virou as costas, parece ao menos não se importar conosco
Gosto de imaginar que aqui e ali sob a névoa da dispersão
Talvez o Criador ligue o seu Home-Theater e assista a algum documentário que o lembre de como éramos promissores
Talvez ele sorria, reconsidere e nos promova a um papel melhor do que o de sermos o alambique do mundo!

julho 05, 2008

Planos e esferas*

Redondo é o mundo
E mesmo que fosse oval
Uma esfera digamos...desigual
Partíssemos nós de onde fosse
Ainda assim haveríamos de retornar
Ao ponto original

Grande é o mundo
Grande, grande, muito grande
Mas não obstante ser grande o bastante
O mundo é apenas do tamanho da mente observante
Que pode muito bem vê-lo como um plano infinito
Muito mais para uma folha de papel
Que para uma esfera de arenito

Que seja então,
Um mundo de papel!
Plano e liso
O papel multicolorido
De todos os seres vivos
Onde se inscrevem todas as vidas
A vida de alguém
E a de todo mundo


O mundo É a vida
De todas as vidas do mundo
Que talvez estejam agora
Neste instante neste segundo
Em ruidoso pensar
Ou em silêncio profundo

O mundo TEM vida
Quando tiramos da esfera, um plano
Para termos então um plano de vida
De quem sabe...
Dar uma volta ao mundo!

Girando como um peão
O mundo faz vento e tempestade
Desfolhando vidas e livros
Com indiferente tranquilidade

Olhe para o chão
Veja seus pés:
Estão sujos de tinta!
Atrás de si, pegadas!
Pegadas literais
Pregadas ao papel do mundo
Com a caligrafia de sua ginga
Com o estilo de sua marcha
Marcha marcial que há de marchar até a borda do papel
De onde então se precipitará de costas
Sem rumo, sem propósito
Para o fundo, para o nada

Em meio a queda,
Admitamos:
O mundo é plano!
Só pode ser
Do contrário como poderíamos chegar à seu/nosso fim?
A vida sim,
A vida é que é redonda
Como uma bola que rola

Cega e incauta
para a borda de uma mesa
E daí a um chão que ninguém sabe se existe.
Triste não?

Vidas esféricas:
Opacas,
Reflexivas,
Transparentes,
Só às primeiras, no entanto, é dado escolher uma cor para si
E o que isto significa?
???

Sabe-se apenas que
Sob a luz da janela da vida
Rolarão as esferas polidas
Rumo à borda afiada
Para um salto tangencial
No infinito transcendental
Que guarda o segredo do tudo
e do nada



*Em homenagem a Escher, que ensaiou com os Mouros que ensaiaram com O Grande que já nasceu ensaiado.

P.S. Para aproveitamento prático e não apenas metafísico desta sua visita, vão aqui dois endereços recomendáveis:
Blog Pontocome Aqui, o embaixador português no Brasil escreve sobre gastronomia
Blog de Jim Aqui, Barista da hora fala sobre tudo que você sempre quis saber sobre café e nunca achou ninguém que lhe dissesse (nem Morpheus!)Blogger: Morpheus - Editar postagem "Planos e esferas*"
Obra em progresso Veja aqui o blog de Caetano Veloso
E last but not least, se você ainda não mudou, chegou a hora!
Clique na figura abaixo para baixar o novo Firefox
Mais rápido, seguro, inteligente e completo

Até mais

julho 01, 2008

Savana Urbana

Apartado da cena
Em atitude suspeita
O guarda-de-trânsito suspeita
Estar prestes a testemunhar
Uma previsão perfeita

O cruzamento é deserto
O sinal está fechado
Um grupo de flanelinhas crackeados pressente o momento:
Tá tudo dominado,
O sucesso é certo!

Um carro vistoso se aproxima
Dentro dele, uma madame e uma menina
O susto será o bastante
Se ela invadir o sinal, o guarda multa
Se parar, eles vão em cima

Ela vê o sinal fechado
Vê o grupo na esquina
E sem saber do guarda escondido
Checa no espelho
O sorriso da menina

O pé hesita sobre o pedal do freio
Oscila entre este e o acelerador

Enquanto isto,
O grupo se aproxima,
O guarda empunha o talão
E a menina sorri no espelho sob a aura avermelhada da luz difusa que vem das lanternas de freio

A mulher hesita...
Seu coração de dondoca ensaia uma taquicardia
Mas tudo se resolve sob um jorro de fótons verdes do sinal que se abre...

Entretanto...
Um sorriso nervoso denuncia:
O perigo a assusta
O medo a excita

Aliviada, inspira, prende...
solta.
O grupo recua,
O guarda recolhe o talão,
E o carro se distancia
Em direção à multidão
Para longe da encruzilhada
E da tocaia frustrada
de famintos zumbis urbanos

Com garotos drogados
Guardas transviados
e bovinos cidadãos,
A violência urbana,
(também)
é uma droga.
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