novembro 29, 2007

Baú de imagens - Barcelona

Seguem abaixo as fotos restantes de Barcelona. Vistas que podem ajudar você a decidir-se se gostaria ou não de visitar a Catalunya nas próximas férias.
Se quiser alguma imagem em alta-definição, peça!

novembro 26, 2007

O ultimato de Fernando Pessoa - A fome do novo, do bom, do belo!

Texto do começo do século passado onde um Pessoa nihilista exprime magnificamente a sua vontade de livrar-se dos canalhas políticos não importando quais fossem suas cores, credos ou ideologias.
Uma catarse nihilista imaterializável posto que só os grandes espíritos são realmente livres (a ponto de prescindir da matriz política) e, infelizmente, estes são demasiadamente pouco numerosos.Último trecho de Pedrinha de Aruanda (imperdível!) lido por uma Bethânia hesitante e emocionada.
Ouça a "versão/edição" de Bethânia e logo a seguir leia o texto do Poeta



Confira a verve!

E agora, o texto original, na íntegra:

Mandado de despejo aos mandarins da Europa! Fora.

Fora tu, Anatole-France, Epicuro de farmacopeia-homeopática, ténia-Jaurès do Ancien-Régime, salada de Renan-Flaubert em louça do século dezassete, falsificada!
Fora tu, Maurice-Barrès, feminista da Acção, Chateaubriand de paredes nuas, alcoviteiro de palco da pátria de cartaz, bolor da Lorena, algibebe dos mortos dos outros, vestindo do seu comércio!
Fora tu, Bourget das almas, lamparineiro das partículas alheias, psicólogo de tampa de brasão, reles snob plebeu, sublinhando a régua de lascas os mandamentos da lei da Igreja!
Fora tu, mercadoria Kipling, homem-prático do verso, imperialista das sucatas, épico para Majuba e Colenso, Empire-Day do calão das fardas, tramp-steamer da baixa imortalidade!
Fora! Fora!
Fora tu, George-Bernard-Shaw, vegetariano do paradoxo, charlatão da sinceridade, tumor frio do ibsenismo, arranjista da intelectualidade inesperada, Kilkenny-Cat de ti próprio, Irish-Melody calvinista com letra da Origem-das-Espécies!
Fora tu, H. G. Wells, ideativo de gesso, saca-rolhas de papelão para a garrafa da Complexidade!
Fora tu, G. K. Chesterton, cristianismo para uso de prestidigitadores, barril de cerveja ao pé do altar, adiposidade da dialéctica cockney com o horror ao sabão influindo na limpeza dos raciocínios!
Fora tu, Yeats da céltica-bruma à roda de poste sem indicações, saco de podres que veio à praia do naufrágio do simbolismo inglês!
Fora! Fora!
Fora tu, Rapagnetta-Annunzio, banalidade em caracteres gregos, «D. Juan em Pathmos» (solo de trombone)!
E tu, Maeterlinck, fogão do Mistério apagado!
E tu Loti, sopa salgada fria!
E finalmente tu, Rostand-tand-tand-tand-tand-tand-tand-tand!
Fora! Fora! Fora!
E se houver outros que faltem, procurem-nos por aí pra um canto!
Tirem isso tudo da minha frente!
Fora com isso tudo! Fora!
Ai! que fazes tu na celebridade, Guilherme-Segundo da Alemanha, canhoto maneta do braço esquerdo, Bismarck sem tampa a estorvar o lume?!
Quem és tu, tu da juba socialista, David-Lloyd-George, bobo de barrete frígio feito de Union Jacks?!
E tu, Venizelos, fatia de Péricles com manteiga, caída no chão de manteiga para baixo?
E tu, qualquer outro, todos os outros, açorda Briand-Dato. Boselli da incompetência ante os factos todos os estadistas pão-de-guerra que datam de muito antes da guerra! Todos! todos! todos! Lixo, cisco, choldra provinciana, safardanagem intelectual!
E todos os chefes de estado, incompetentes ao léu, barris de lixo virados para baixo à porta da Insuficiência da Época!
Tirem isso tudo da minha frente!
Arranjem feixes de palha e ponham-nos a fingir gente que seja outra!
Tudo daqui para fora! Tudo daqui para fora!
Ultimatum a eles todos, e a todos os outros que sejam como eles todos!
Senão querem sair, fiquem e lavem-se.

Falência geral de tudo por causa de todos!
Falência geral de todos por causa de tudo!
Falência dos povos e dos destinos — falência total!
Desfile das nações para o meu Desprezo!
Tu, ambição italiana, cão de colo chamado César!
Tu, «esforço francês», galo depenado com a pele pintada de penas! (Não lhe dêem muita corda senão parte-se!)
Tu, organização britânica, com Kitchener no fundo do mar mesmo desde o princípio da guerra!
(It ’s a long, long way to Tipperary and a jolly sight longer way to Berlin!)
Tu, cultura alemã, Esparta podre com azeite de cristismo e vinagre de nietzschização, colmeia de lata, transbordamento imperialóide de servilismo engatado!
Tu, Áustria-súbdita, mistura de sub-raças, batente de porta tipo K!
Tu, Von Bélgica, heróica à força, limpa a mão à parede que foste!
Tu, escravatura russa, Europa de malaios, libertação de mola desoprimida porque se partiu!
Tu, «imperialismo» espanhol, salero em política, com toureiros de sambenito nas almas ao voltar da esquina e qualidades guerreiras enterradas em Marrocos!
Tu, Estados Unidos da América, síntese-bastardia da baixa-Europa, alho da açorda transatlântica nasal do modernismo inestético!
E tu, Portugal-centavos, resto da Monarquia a apodrecer República, extrema-unção-enxovalho da Desgraça, colaboração artificial na guerra com vergonhas naturais em África!
E tu, Brasil, «república irmã», blague de Pedro-Álvares-Cabral, que nem te queria descobrir!
Ponham-me um pano por cima de tudo isso!
Fechem-me isso à chave e deitem a chave fora!
Onde estão os antigos, as forças, os homens, os guias, os guardas?
Vão aos cemitérios, que hoje são só nomes nas lápides!
Agora a filosofia é o ter morrido Fouillée!
Agora a arte é o ter ficado Rodin!
Agora a literatura é Barrès significar!
Agora a crítica é haver bestas que não chamam besta ao Bourget!
Agora a política é a degeneração gordurosa da organização da incompetência!
Agora a religião é o catolicismo militante dos taberneiros da fé, o entusiasmo cozinha-francesa dos Maurras de razão-descascada, é a espectaculite dos pragmatistas cristãos, dos intuicionistas católicos, dos ritualistas nirvânicos, angariadores de anúncios para Deus!
Agora é a guerra, jogo do empurra do lado de cá e jogo de porta do lado de lá!
Sufoco de ter só isto à minha volta!
Deixem-me respirar!
Abram todas as janelas!
Abram mais janelas do que todas as janelas que há no mundo!

novembro 24, 2007

La belle aux yeux eternels

Sou bela, ó mortais! Como um sonho de pedra
Meu seio, onde se mortifica um homem de cada vez,
Foi feito para inspirar no Poeta
Um amor eterno e mudo como a matéria que me afeta

Reino em meio ao verde como uma esfinge indecifrada
Unindo à brancura dos cisnes, o meu coração de neve
Odiando o movimento que desloca as linhas
Sem jamais poder rir ou chorar

Detenho os olhares com a magia
Que um dia roubei dos elfos
Magia que não se compra e nem se cria

E para engendrar tal encanto
Não me valho nem de dança nem de canto
Apenas de meus olhos, meus grandes olhos de brilhos eternos


P.S. Alô Alex, aí vai Blackbird (O Assum preto dos besouros!) como Karaoke/comentário ao post anterior

novembro 20, 2007

Prosa saindo do forno...!


SEU NI, PÁSSARO NEGRO VOANDO NA NOITE ESCURA


"Blackbird singing in the dead of night

Take these broken wings and learn to fly

All your life"


Ouvindo uma versão country de "blackbird", deixei o pensamento planar e me veio a lembrança de um sujeito que conheci apenas por uma oportunidade, e depois não mais ouvi falar. E se hoje o reencontrasse, talvez nem o reconhecesse, dado o tempo fugido desse nosso encontro. Lembro apenas de um senhor magro, cheio de serenidade atrás do pequeno olhar azeviche e de poucas palavras, e que arrastava chinelo no caminhar. O nome: Seu Ni.

Sua relação com essa música tipicamente beatleniana em aparência é nenhuma, mas rememorando os acontecimentos, firmamento de minhas paragens, e a vibração dos solos de violão, facilmente encontrei uma ligação muito própria entre eles. Cheguei até a desconfiar que ela havia sido feita não em Liverpool, mas em Rio de Contas.

Ora, se um mineiro compôs uma música "Para Lennon e McCartney", por que estes não poderiam ter feito essa outra para um baiano?

Aconteceu durante nossa viagem para lá. O contratamos (falo em plural porque éramos três casais na época dos fatos) como guia, ele e sua caravan anos setenta movida a gás de cozinha. Era pra ser por um único dia, mas acabou que eles (Seu Ni e a caravan) nos acompanharam durante toda nossa permanência lá.

De início, nos causou bastante estranheza sua forma de falar, quer dizer, de não-falar, pois era conciso nas respostas, direto e monossilábico todo o tempo. Muito diferente do que estávamos acostumados a encontrar num guia turístico. Ele não sabia nomes próprios, nem estórias falaciosas sobre o lugar e não dissimulava saber. Via-se claramente que conhecia muito bem toda região, e que era o conhecimento de alguém nativo e crescido no lugar. E, sem nada florear, dizia-nos os nomes da mesma forma como devia ter aprendido quando criança e que ainda utilizava.

De um jeito muito simples fomos apresentados ao "Morro-do-fotógrafo" (tinha uma formação rochosa que fazia lembrar um homem segurando a máquina fotográfica), ao "Morro-do-paredão" (chamado assim por conta da enorme parede de pedra que havia em uma das laterais),

ao "Morro-da-visão" (este possuia uma bela vista), a "pedra-leite" (muito alva), a "folha-veludo" (repleta de pequenos pêlos), a "Rua-da-casa-rosa", a "Igreja-de-pedra", a "Serra-do-cafezal", a "Vila-dos-portugueses"... Não tardou e logo nos acostumamos com aquele seu jeito de falar e passamos até a nos divertir inventando nossas próprias denominações daquela mesma maneira.

Em contrapartida, sua satisfação, sua disponibilidade e sua atenção em nos acompanhar, e a forma cautelosa com que nos conduzia naquelas trilhas acidentadas, era absurdamente carinhosa, apontando qualquer obstáculo no caminho ou se antecipando ligeiro em nos resguardar frente a qualquer mínima possibilidade de acidente.

Estava claro que não era, nem nunca havia sido um guia turístico. Entendemos que deveria estar ali por necessidade, safando o desemprego ou a aposentadoria pífia. E aquele seu trejeito matuto e sem-jeito não nos incomodou.

As vezes, ele nos parecia aquele tio antigo que dificilmente encontramos, mas, mesmo assim, nos sentimos próximos e não sabemos exatamente o porquê.

Acabou que no final já não imaginávamos nossa viagem sem ele. E até nos mostrou a sua casa, seus filhos e netos, e as mandalas que pintava sobre pratos de porcelana e vendia na cidade. Claro que compramos!

Belos foram aqueles dias!

Na noite em que fomos embora, fez questão de nos levar para rodoviária. Foi mudo todo o caminho. Para quebrar um pouco o clima de despedida, a caravan nos deu um agudo susto e apagou na estrada. Mas, logo Seu Ni buliu nuns fios dentro do capô, dizendo "Ah, eu já sei o que é que é!" e ela, meio rouca, voltou a queimar gás.

Enfim, chegamos.

Antes da partida, que aconteceria num crepúsculo laranja, repleto de pássaros-pretos (voavam e cantavam frivolamente), fizemos uma rápida reunião e decidimos dar a ele uma gratificação em dinheiro. Apenas uma forma a mais de agradecer todo seu enternecido apadrinhamento conosco.

Procedemos a entrega da quantia e nos despedimos externando gratidão.

Ele, abruptamente, como se houvéssemos puxado um gatilho, numa erupção, começou a chorar. E chorou num desconsolo que só se vendo para medir.

Ficamos atônitos! Desguarnecidos que estávamos, fomos impiedosamente demolidos no contra-pé. Nós..., cautos urbanos, tão acostumados a "toma-lá-dá-cá(s)", a idas e vindas apenas, como imaginaríamos tal reação? Calados e perplexos, apenas trocamos olhares, única reação que nos coube.

Semi-refeito, ele enxugou os olhos e, mesmo sabendo do improvável, exprimiu num semitom soluçoso: "Não contem isso pra ninguém, hein..."!

Embarcamos.

Continuamos calados toda a viagem de volta. Ainda não haviam inventado uma palavra que pudesse traduzir o que sentíamos naquele momento. Uma palavra que fosse usada unicamente quando todas as palavras são sufocadas por um sentimento. Inefável..., apenas se aproxima!

Jamais o esqueceremos! Era de uma pureza inestimável, uma água doce nascitura.

Ele continuou lá, manso..., eterno..., olhando os pássaros.

Partimos.

Posteriormente, o indicamos como guia a outros amigod que para lá viajaram e todos foram categóricos em afirmar não o encontrar, nem alguém que dele soubesse. Uns chegaram até a desconfiar da sua lúdica existência.

Eu particularmente acho que ele desistiu. Ficou naquele instante, dentro da noite, um pássaro negro voando na noite escura.

"All your life"

novembro 17, 2007

Para terminar Barcelona, ufa!

Barcelona é mais do que a capital da Catalunha. Na cultura, no comércio e nos esportes, a cidade não só rivaliza com Madri (na minha opinião, dá de 10 a zero!), como também se considera à al­tura das grandes cidades européias. O sucesso dos Jo­gos Olímpicos realizados no parque Montjuic em 1992 confirmou sua posição perante o mundo. Embora a Cidade Velha (Ciutat Vella) tenha muitos monumentos históricos, Barcelona é mais conhecida pelos edifícios do Eixample, testemunhos da explosão artística do modernismo no começo do século.

Aberta às influências externas devido à sua localização costeira, seu porto é um dos mais movimentados do Mediterrâneo. Próxima da fronteira com a França, Barcelona continua cheia de criatividade: seus bares e parques têm mais de design contem­porâneo do que de tradição.

Quase ao fim do século 19, surgiria em Barcelona um novo estilo de arte e arquitetu­ra, chamado Modernisme (uma variação da Art Nouveau). Foi a maneira pela qual o nacionalismo catalão se expressaria. Seus maiores expoentes foram Josep Puig, Cadafalch, Lluís Domenech, Monntaner e, sobretudo, Antoni Gaudí i Cornet. Gaudí foi autor ou colaborador em trabalhos sobre quase todos os suportes conhecidos. Ele combinava materiais básicos - madeira, pedra, entulho e tijolo com artesanato meticuloso em ferro e vitrais. Mosaicos de azulejos em cerâmica eram usados para revestir suas formas fluidas e desiguais.

O Eixample está repleto de edifícios originais criados por eles para seus ricos clientes.

Cidade velha

A cidade velha, cortada pela mais famosa avenida de Barcelona, Las Ramblas, é um dos mais exten­sos e harmoniosos centros medievais da Europa. No Barrio Gòtic (Bairro Gótico) estão a catedral e o antigo palá­cio real. Ao lado, fica La Ribera, com muitas mansões do século 14 uma delas é ocupada pelo Museu Picasso.
Esta área é circundada pelo belo Parc de la Ciutadella, onde se encontra o Museu d'Art Modern e o zoológico. Na área em frente ao mar há vários quilômetros de praias banhadas pelo Mediterrâneo, desde a Vila Olímpica até o Porto Velho, onde ficam os es­taleiros históricos, a elegante marina e um agradável calçadão .

O Barri Gàtic (Bairro Gótico) é o verdadeiro cen­tro de Barcelona. A parte mais antiga da cidade de foi o lugar escolhido pelos romanos, no rei­nado de Augusto (27 a.c. a 14 d.C.), para fundar a nova colônia. Desde então, é o lugar onde fi­cam os edifícios administrativos de Barcelona. O fórum romano ficava na P]aça de Sant Jaume, onde hoje se encontra o Palau de la Generalitat (uma construção medieval), parlamento da Catalunha, e a Casa de la Ciutat (prefeitura). Perto fica também a catedral gótica e o palácio real, onde Colombo foi recebido por Fernando e Isabel na volta de sua viagem ao Novo Mundo, em 1492 (os índios trazidos foram batizados na catedral).

OS JUDEUS EM BARCELONA

Do século 11 ao 13, os judeus dominaram o comércio e a cultura de Barcelona for­maram médicos e fundaram O primeiro centro de ensino da cidade. Mas, em 1243, 354 anos depois que sua presença na cidade foi documentada pela primeira vez um violento espírito anti-semita os levou a se restringirem ao gueto de El Call. Para pro­teçao, o gueto tinha uma só entrada, que levava a Plaça de Sant Jaume.
Os judeus pagavam altos impostos ao rei que os considerava "servos reais". Em compensação tinham o privilégio de lidar com a maior parte do comércio lucrativo da Catalunha com o norte da África. A perseguição oficial e da po­pulaçao levou ao desaparecimento do gueto em 1401, 91 anos antes de o Judaísmo ser proscrito da Espanha . Originalmente, havia três sinagogas em Barcelona: a principa1 na Carrer Domenec del Call, da qual só restam as fundações. Uma tabuleta do século 14, em hebraico, incrustada na parede do nº 1 da Carrer Martlet, diz: "Fundação Sagrada do rabino Samuel Hassardl, para quem a vida nunca termina". (!!!!)

Barcelona se constitui numa exceção à regra que prescreve a presença de Judeus como essencial para o desenvolvimento comercial.

A catedral de Barcelona

Esta catedral gótica, com uma capela românica (Capella de Santa Lúcia) e um belo claustro, começou a ser cons­truída sob Jaime II sobre as fundações de um templo romano e mesquita mourisca. Não foi terminada até o fim do século 19, quando a fachada principal ficou pronta. Uma tribuna decorada de mármore branco, es­culpida no século 16, mostra o martírio de santa Eulália, a padroeira da cidade. Ao lado da pia batis­mal, uma placa lembra o batis­mo de seis índios do Cari­be, trazidos por Colombo da América em 1493. Pense nisso e ouça a La Catedral de Agustín Barrios.

Las Ramblas

A histórica avenida de Las Ramblas (Les Rambles, em catalão) é cheia de vida durante as 24 horas do dia principalmente à noite e nos fins-de-semana. Bancas de jornal, pássaros engaiolados, flores, leitura de tarô, artistas de rua em geral ocupam o largo e sombrados do calçadão central. Entre os edifícios famosos estão a Ópera Liceu, o mercado La Boqueria e algumas mansões.

Como Explorar Las Ramblas

O nome desta avenida com­prida - também conhecida co­mo La Rambla - vem do árabe ramla (leito seco de rio sazo­nal). A muralha de Barcelona, do século 13, acompanhava a margem esquerda desse rio, que corria das colinas de Coll­serola até o mar. Conventos, monastérios e a universidade foram construídos na margem oposta, no século 16. Com o passar do tempo, o leito do rio foi aterrado. Os edifícios foram demolidos, mas são lembrados nos nomes das cinco Ramblas que compõem a grande avenida entre a Plaça de Catalunya e O Port Vell (Porto Velho). Hoje, hótéis, mansões, lojas e cafés ladeiam a avenida.

PABLO PICASSO EM BARCELONA

Pablo Picasso 0881-1973) nasceu em Málaga e tinha quase 14 anos quando veio para Barcelona, onde seu pai conse­guira trabalho na academia de arte. Picasso se matriculou nessa academia e foi um talento precoce, Visitava assidua­mente Els Quatre Gats (vá entre olhe fotografe e vá comer noutro lugar!) - um café frequentado por artistas que ainda existe na Carrer Montsió - e lá fez sua primeira exposição, Também se apresentou na Sala Parks, uma galeria ainda ativa na Carrer Petritxol A família morava na Carrer Mercé e Picasso tinha seu estúdio na Carrer Nou de la Rambla. Foi entre as prostitutas da Carrer Avinyò que buscou inspiração para o quadro Senhoritas de Avignon (1906-7), considerado por muitos historiadores de arte como a origem da arte modema.

Picasso trocou Barcelona por Paris no início dos anos 20, mas, no começo, voltou varias vezes. Com a Guerra Civil, sua oposição a Franco fez com que ficasse na França. Ainda desenhou um friso para O Colégio de Arquitetos de Barcelona (1962) e permitiu que a
cidade abrisse, no ano seguinte, um museu seu.

O Eixample (A expansão)

Barcelona afirma ter a maior (coleção de edifícios Art Nou­veau de toda a Europa. O estilo, conhecido na Catalunha como Modernisme, floresceu a partir de 1854, quando se decidiu derrubar as muralhas medievais para permitir que a cidade se desenvolvesse no que havia sido anteriormente uma zona militar sem construções.
Os projetos do engenheiro civil Ildefons Cerda i Sunyer (1815-76) foram escolhidos para esta expansão (eixample) emdireção ao interior. Os planos seguiam rígida disposição de ruas perfeitamente simétricas, com esquinas que permitiam que os edifí­cios, tivessem vista para os dois lados deum cruzamento ou para praças.
Entre as poucas exceções a esse pla­nejamento, há a Diagonal - uma avenida principal que se vai da prós­pera área de Pedralbes até o mar - ­e o Hospital de la Santa Creu i de Sant Pau, do arquiteto modernista Domenech i Montaner (1850- ­1923). Ele não suportava esse sistema de ruas e posicionou o hospital em ângulo com vista para a diago­nal Avinguda de Gaudí, em di­reção à Sagrada Família, igreja de Antoni Gaudí, o mais espetacular edifício modernista da cidade, A riqueza e a paixão pelo novo da elite co­mercial de Barcelona permiti­ram que os arquitetos tivessem total liberdade ao projetar as casas particu­lares e os edifícios públicos ela cidade.

Quadrat d’Or

Os cento e poucos quarteirões de Barcelona que têm como centro o Passeig de Gràcia
são conhecidos como o Quadrat d'Or (de ouro), pois aqui estão muitos dos melhores
edifícios modernistas da cidade. Esta foi a área dentro do Eixample preferida pela burguesia, que abraçou o novo estilo artístico e arquitetônico com entusiasmo, não só para suas residências como também para os edifícios comerciais. O mais extraordinário a Illa de la Discòrdia, um único quarteirão que contém casas criadas pelos mais ilustres expoentes do Modernisme. Muitas podem ser visitadas, revelando uma festa de vitrais, cerâmicas e trabalho ornamental em ferro.

Antônio Gaudí

Nascido em Reus (Tarragona) em uma família de artesãos. Gaudí foi o expoente do Modernisme catalão. Após trabalhar como aprendiz de ferreiro, ele ingressou na Escola de Arquitetura de Barcelo­na. Inspirado na busca nacionalista de um passado medieval românti­co,
seu trabalho foi extremamente original. Sua primeira grande reali­zação foi a Casa Vicens (1888), no nº 24 da Carrer de les Carolines.
Sua mais famosa construção é a igreja da Sagrada Familia à qual dedicou sua vida a partir de 1914. Gaudí colo­cou todo seu dinheiro no projeto, e às vezes ia de casa em casa pedindo mais, até sua morte, poucos dias depois de ser atropelado por um bonde (de tanto andar na linha...)
o seu Temple Expiatori de la Sagrada Familia, é o emblema de uma cidade que se sente única. Repleta de símbolos inspirados na natureza e se esforçando para ser original, é a maior obra de Gaudí. Em 1883, um ano após o início da construção de uma igreja neogótica no local, a tarefa de concluí-la foi confiada ao arquiteto, que mudou tudo, improvisando à medida que trabalhava. Tornou-se a obra de sua vida -ele viveu recluso aqui durante 16 anos. Quando morreu, somente uma torre na fachada da Natividade havia sido terminada. As outras têm sido concluídas com base no projeto original. Depois da Guerra Civil, o trabalho foi retomado e continua até hoje, com contribuições públicas. Gaudí está enterrado na cripta.

A sua catedral é a mais magnífica demonstração da eficiência do "arco catenário", uma solução para sustentar altas cúpulas sem a necessidade de reforços laterais. Toda a carga é entregue ao chão através da disposição parabólica do arco (a mesma de uma corrente - ou cadena, em espanhol - segura com folga entre dois pontos de apoio nas suas extremidades)Na modesta opinião de Morpheus há poucas igrejas a serem visitadas no mundo; vai abaixo minha relação:


Igreja de Santa Sophia em Istanbul

Catedral do Vaticano

Notre Dame de Paris

Panteão Romano (por quê não?)

Santiago de Compostela

Sagrada Família em Barcelona

Senhor do Bomfim na Bahia

O resto é repetição!

A IGREJA TERMINADA

A ambição inicial de Gaudí tem sido redu­zida, mas o projeto para a conclusão do edifício ainda é impressionante. Ainda está por ser cons­truída a torre central, cir­cundada por quatro grandes torres represen­tando os evangelistas. Quatro torres da facha­da da Glória (sul) com­binarão com as quatro já existentes na da Paixão (oeste) e na da Natividade (leste). Um deambulatório - como um claustro de dentro para fora - rodeará a parte externa do edifício.

MONTJUIC

A COLINA DE Montjuïc, que tem 213m de altura e se ergue sobre o porto comercial no sul da cidade, é a maior área de lazer de Barce!ona. Seus museus, galerias de arte, parques de diversões e boates fazem com que seja muito procurada de dia e à noite.

Provavelmente existiu uma colônia celtíbera aqui, antes que os romanos construíssem um templo a Júpiter em seu Mons Jovis, que pode ter gerado a palavra Montjuïc, embora outra teoria sugira que um cemitério judeu na colina tenha inspirado o nome Monte dos Judeus. Em razão da ausência de água, havia poucos edifícios públicos em até a construção do cate­lo em 1640. A colina transformou-se no que é hoje, no entanto, ao se tornar o local da Feira Internacional de 1929, quando foram construídos os edifícios da porção norte e a imponente Avinguda de la Reina María Cristina que, ladeada por enormes salões de exposições, leva até a Plaça d'Espanya. No meio da avenida fica a Font Màgica, que às vezes é iluminada com luzes coloridas. Acima fica o Patau Nacional, sede da grande coleção de arte da capital catalã, O Poble Espanyol, perto, é um centro de artesanato que reproduz prédios típicos de todas as regiões da Espanha. A última onda, de construções no Montjulc ocorreu nos Jogos Olímpicos de 1992, com instalações esportivas de categoria internacional.
Montjuïc oferece uma vista espetacular da cidade. A área é rica em galerias de arte e museus, e tem parque de diversões e teatro ao ar livre, além de um jardim de rosas. Os edifícios mais interessantes ficam ao redor do Palau Nacional, onde se encontra a mais importante coleção de arte românica da Europa.
Pode-se chegar a Montjulc pela Plaça d'Espanya, caminhando entre pilares de tijolos que imitam o campanário de São Marcos, em Veneza, o que dá uma amostra do ecle­tismo arquitetônico. Se o Poble Espanyol mostra a arquitetura tradicional, a Fundació Joan Miró é moderna e ousada.


Descansarei deste postzinho quilométrico para postar o "resto" sob a forma de um slideshow daqui a alguns dias.

Até lá!

P.S. A trilha sonora de uma animação naïve/hightech me acompanhou nestes dias. Clique na imagem abaixo para ouvir uma maravilhosa fusão de música árabe e tradição erudita arranjada por um Israelense. O link não ficará disponível por muitos dias portanto baixe logo e se gostar comente!

novembro 12, 2007

Rapaz...
(interjeição de perplexidade na Bahia)
Eu planejava contar a última viagem aqui no blog, mas do jeito que vou...
Acho que só acabo ano que vem!
Vejamos...
Onde estava?
Sim...
Vamos lá!
O primeiro ponto pisado por pés romanos na peníssula ibérica foi Empúries, na Costa Brava catalã. Ao ao partirem deixaram grandes monumentos, principalmente em Tarragona, a capital de sua vasta província Tarraconensis, e nos seus arredores. Está na Catallunha o delta do rio Ebro de onde foi tirado o nome Ibéria. Ou seja, se a Catalunha estivesse no Brasil seria a a Bahia (Ok, tudo bem, eu sei que português não é romano e etc...).
- Os romanos chegaram lá em 15 aC e chamaram-na de Barcino (baldinho!)
- 531dC Barcelona torna-se a capital visigótica
- 711dc Os mouros conquistam a cidade e passam a chamá-la de Barjelunah
- 801 Os mouros perdem Barcelona para os francos de Carlos Magno
- 878 Guifré el Pilós (literalmente, Vilfredo, o Cabeludo) funda o condado independente da Catalonia
- 1131-62 Reinado de Ramon Berenguer IV e união com a província de Aragão; Barcelona torna-se uma cidade comercial
- 1213-76 Reinado de Jaume I (Tiago I)
- 1229 Jaume conquista Ibiza, Valencia e Mallorca dos mouros (virado no cão!)
- 1298 Começo da catedral gótica
- 1323-24 Barcelona conquista a Córsega e a Sardenha mostrando que não está para brincadeira
- Criação da secretaria de fazenda: Generalitat
- 1355 Massacre de milhares de Judeus
- 1356 Morte sem herdeiros de Martí I
- 1462-73 Guerra civil catalã; caos econômico
- 1492 Expulsão total dos judeus, dos mouros e descoberta da América
- 1516 Carlos V (Habsburgo) torna-se rei da Espanha
- 1714 Cidade cai perante o exército franco-espanhol durante a guerra de secessão espanhola e transforma-se numa mera província da Espanha
- 1808-13 Após 5 anos de ocupação, as tropas napoleônicas partem
- 1832 Primeira fábrica a vapor da Espanha começa a funcionar em Barcelona
- 1844 Inauguração do Liceu Ópera House
- 1859 Aprovação para as obras do Eixample (Av. Paulista deles!)
- 1882 Início das obras da Sagrada Família
- 1888 Exposição Universal
- 1899 Fundação do Barcelona FC - Primeiro Bonde elétrico (Tramvia - como eles chamam- e que atropelou Gaudi!)
- 1909 Incêndios crimosos de conventos e igrejas por manifestantes do PT da época: Setmana Tràgica (no Brasil, vamos para a Década Trágica!)
- 1914-18 Neutralidade espanhola na 1ª guerra turbina a economia de Barcelona
- 1921 Metrô
- 1929 Exibição internacional de Montjuic
- 1931 Francesc Marciá declara a independência catalã
- Franco toma o poder mas é derrotado em Barcelona por trabalhadores armados - Começa a guerra civil espanhola
- 1939 Tropas de Franco ocupam a Catalunha; banimento da língua catalã; esmagamento da cultura catalã; declínio econômico
- 1975 Após a morte de Franco, Juan Carlos I é declarado rei e promove a reinstituição do Generalitat como o parlamento do governo regional autônomo da Catalunha.
- 1992 Jogos Olímpicos
- 1995-96 Abertura de 03 museus: Museu Nacional de Arte da Catalunha, o Museu de História da Catalunha e o Musu de Arte Contemporânea de Barcelona - Restabelecimento pleno do "Orgulho Catalão"
- 2002 Ano Internacional de Gaudi (150 anos do nascimento)
- 2004 Sedia o Fórum Universal de Culturas patrocinado pela Unesco
Ufa!
Agora que você ja sabe um pouco da história, aguarde o relato dos primeiros momentos lúcidos de Morpheu na Barjelunah onde Dom Quixote encontrou, no dia de São João de 1614, seu nemesis: o Cavaleiro de la Blanca Luna para seu combate mais dramático na obra-prima de Cervantes para quem Barcelona era "...uma casa para o estrangeiro, um refúgio para o pobre...única em posição e beleza!"
Não é que ele tinha razão?
Clique nas imagens para vê-las em tamanho maior!

P.S. Quer achar uma música na internet?
Abra o Google e digite: ?intitle:index.of? mp3 nomedamúsicadesejada
Depois visite os links com extensão mp3.
Pronto!

Livro?
Título: Simbolismo dos Padrões Geométricos da Arte Islâmica, O
Autor: Sylvia Leite
ISBN: 978-85-7480-367-8
Resumo: O Simbolismo dos Padrões Geométricos da Arte Islâmica faz uma viagem por terrenos como a cosmologia, a geometria, o simbolismo e a língua árabe para mostrar que a arte geométrica do Islām é simultaneamente mística e sensual, reproduz outros mundos neste mundo, e traduz uma cosmovisão ainda não limitada pelo racionalismo de derivação iluminista. A percepção da arte geométrica contida neste livro vai além dos limites da modernidade por não mais pensar o homem enclausurado na história.
"Longe de pensar a semelhança como pobreza e limite, este livro faz dela o seu princípio por assim dizer constitutivo: na fina malha em que, supostamente, estaria desde sempre condenada a enredar-se no Mesmo, a autora tece um magnífico bordado pleno de analogias, revelando, a partir de um prisma inusitado, as riquíssimas possibilidades do pensamento que ela, baseada na mesma tradição, chama de 'tradicional', e que talvez fosse melhor compreendido como uma espécie de contra-espelho do que se convencionou denominar, de modo mais ou menos atropelado, de 'modernidade'.
"Trata-se, com certeza, de um trabalho que deverá despertar o interesse de uma gama de leitores tão vasta quanto a multiplicação de sentidos das derivações verbais e nominais da língua árabe, ou das expansões geométricas de sua arte abstrata." – Mamede Mustafa Jarouche

Sylvia Virgínia Andrade Leite é jornalista graduada pela Unit (Sergipe) e mestre em Letras (Língua, Literatura e Cultura Árabe) pela USP. Fez MBA em Comunicação Corporativa pela Fecap/Comunique-se e é doutoranda em Filosofia pela USP.

Medidas: 16 x 23 cm
Páginas: 184
Edição:
Ano: 2007
Assunto: Arte, Cultura islâmica
Encadernação: Brochura
R$ 38,00

novembro 10, 2007

El palau de la música catalana


Depois de um magnífico almoço no Neyras, meio “de fogo”, meio de jetlag decidi explorar as vizinhanças do hotel. Escondidinho, numa transversal da Laetana (a avenida do hotel) lá estava o Palau!
A primeira coisa que se pode dizer deste insólito edifício é a sensação de estranheza que ele nos causa por sua arquitetura exuberante realçada ainda mais pela sobriedade monástica dos prédios vizinhos em um bairro de ruas estreitas. Ao aproximarmo-nos começa o festival de surpresas: o prédio é aberto por todos os lados e tem poucas paredes contínuas (em todos os níveis!). Mesmo entupido de detalhes, o conjunto parece harmônico na sua composição de ladrilho, pedra, cerâmica vitrificada, vidro e ferro; tudo com o prpósito de favorecer a visão do interior. Nem mesmo o imenso grupo de esculturas “La cançó popular catalana” de Miquel Blay, impede a apreciação do interior do edifício. Parece uma pessoa sem rosto, totalmente transparente; por dentro, detalhes e mais detalhes: o modernismo em ebulição. A idéia de uma fachada praticamente inexistente parece-me ter sido a materialização arquitetônica de um convite à apreciação da arte que se pretendia levar a exibição no seu interior. Entre os destaques internos estão o Foyer com um excelente bar para petiscos salgados, doces e uma boa Cava gelada, as escadarias loucamente decoradas, a sala do coro (Orfeo), a sala de descanso Luis Millet (totalmente silenciosa e sem estímulos visuais para que os músicos pudessem refazer seu potencial nos entreatos e nos descansos dos ensaios, a magnífica sala de concertos com sua acústica perfeita, um órgão funcional e as esculturas laterais: de um lado, a Cavalgada das Valquírias; do outro, os compositores catalães. Tudo coroado por uma clarabóia em vitral amarelo que domina o local com uma luminosidade inspiradora. Morfeu, meio chumbado, cochilou em alguns pontos da visita guiada mas acha que pegou o suficiente para contar-lhes algo! Penso que uma consulta ao site oficial do Palau seja obrigatória a todos que queiram visitar Barcelona uma vez que um concerto em suas dependências deve ter alguma coisa de inesquecível. Infelizmente um concerto muito bom com os standards da escola espanhola do violão tinha se realizado na semana anterior à minha chegada; o azar não foi total e eu consegui assistir ao mesmo concerto no dia seguinte na igreja de Betlem. O concertista foi o violonista Manuel González (filho da terra), aluno do grande cubano Manuel Barrueco. Bom... to achando que tem “Manuel” demais nessa folia e vou encerrar para não cansar!
Ah! O jantar foi na Dolça Herminia; Incrivelmente bom e barato, não perca, os locais jantam lá!
Abaixo algumas fotos do Palau.
Coloque o ponteiro do mouse sobre a foto cujo nome quiser saber.

Dica ecológica Morpheus: Um litro de óleo de cozinha estraga 1 milhão de litros de água além de entupir os canos (suas artérias e a rede de esgotos). Em Salvador a Remove Reciclagem faz recolhimento a domicílio para volumes superiores a 20 litros: 9979-2504
Pare de jogar óleo velho no sanitário e dar descarga!
Ops...

novembro 07, 2007

Barcinos, first of all!

O saudoso Costinha costumava filosofar sobre a morte dizendo que "cada um tem seu dia" e por isso mesmo não adianta muito se preocupar com a "única certeza que nos foi dada!".
Um dia, após a enésima repetição, um interlocutor decidiu dar uma de incoveniente e perguntou:
- Ô Costinha, você vive dizendo que cada um tem seu dia então por quê você tem tanto medo de viajar de avião?
Ao que recebeu a antológica resposta:
- É isso mesmo, mas vai que é o dia do piloto...
Enquanto os aviões caem como moscas cansadas nas beiradas dos nossos aeroportos o país migra lentamente para o fundo do manguezal.
Um amigo meu, piloto, disse-me que não perdemos por esperar o fim de novembro, mês que, segundo ele, é pródigo em acidentes aéreos.

Bom..., eu não vim aqui para falar disto, vim falar dessa maravilha que é voar direto de Salvador direto para Paris ou para Lisboa saindo direto para cima do atlântico sem interagir mais do que o necessário com a malha aérea brasileira.
Foi assim que comecei a parte lúdica do mê de outubro: 6 horinhas para Lisboa e mais outras 2 para Barcelona e lá estava eu na Catalunha. A terra de Miró e Gaudi, mãe adotiva de Picasso e outros é generosa em alegria e paisagem a ponto de ter me feito sentir-me em casa quer dizer, na Bahia.
Digo isto porque os catalães, além de super criativos e bairristas, assim como os baianos, têem uma língua própria que me pareceu um francês falado por um gago espanhol! A tabuleta fotografada em um restaurante pode dar-lhe alguma idéia do que disse.
A conselho de amigos, resolvi instalar-me no bairro Gótico, centro do burburinho e coração cultural da cidade de onde parti para a prospecção visual da cidade no topo dos ônibus panorâmicos que cobrem a cidade e suas atrações em 3 linhas temáticas. Compre o passe para dois dias, percorra a integralidade de todas três enquanto define, para o tempo que lhe for disponível, quais atrações visitará.
Uma dica: quatro dias é pouco!
O táxi que te levará do aeroporto à cidade é fácil, rápido e honesto; não tema!
Você chegará com muita fome e um pouco de jet lag portanto, boa parte da tarde da chegada será usada para comer uma refeição decente e zanzar meio zoró e meio tonto com o vinho obrigatório deste primeiro almoço. Percorra as imediações do hotel, pegue um mapa da cidade e vá descansar para levantar bem disposto no dia seguinte. Um bom programa para os mais dispostos é zanzar pela Rambla sem esquecer de tomar um sorvete italiano em alguma das gelaterias do caminho!
A foto ao lado (esquerdo) tirado do teleférico que liga a praia ao Montjuic mostra a Rambla propriamente dita que começa na estátua de Colombo e termina na praça Cataluña onde se pode pegar os tais dos ônibus panorâmicos. A torre da Igreja marca o coração do bairro gótico onde me hospedei e encontrei ao lado, o restaurante Neyras; lá, comi uma maravilhosa comida galega acompanhada por um albariño Terras Gauda que irrigou decentemente minha maltratada mucosa gástrica. Mini-polvos e sardinhas cantábricas preparadas por Paco antecederam um arroz negro que nocauteou meus sentidos com sabores e aromas do mar.
Fazer boas refeições é um dos grandes programas de Barcelona e não deve ser negligenciado a menos que seu orçamento não permita!
O supracitadao Neyras tem uma área de petiscos (chamados de Tapas) super acolhedora na qual são preparados os pratos que vão na "plancha" como os pulpitos e as sardinas abaixo. O azeite de oliva corre solto e é da melhor qualidade para ajudar a lubrificar a sua "máquina".



Após o almoço no Neyras, visitei o palácio da música catalã mas isso já é assunto do próximo post! Como dica de site neste final de post vai o site/blog Postsecret
onde segredos pessoais de um passado às vezes não tão distante são revelados de forma instigante. Visite e confira,
Até mais!

novembro 04, 2007

A volta do trovador

Voltei!
Voltei!
Vinte e dois dias longe,
Mas voltei!
Durante este retiro mais prolongado que faço, sempre que posso, em nome da minha saúde mental, Visitei prolongadamente a Catalunha (onde se pega o touro a unha!) os pirineus mediterrâneos, o Languedoc-Roussillon, a Provença, Maciço central francês a Riviera (vazia, graças a Deus!), os Alpinillos e os alpes marítimos.
Muito foie gras, zarzuelas, cassoulets, ostras mediterrâneas, bouillabaisses e queijos (chévre, brebis etc.)
Vinhos regionais da melhor qualidade
Sol azul e um mistral fresco como só o efeito estufa poderia nos proporcionar
Estradas maravilhosas e gente que não usa película no vidro dos carros.
A Barcino romana, de Miró, de Gaudi, de Picasso, de Calatrava e tantos outros. Das Ramblas ao Montjuic.
Um dos poucos lugares em que encher a esposa de "tapas" leva no máximo a uma indisposição gástrica (Tapas é o nome da comida para petiscar!).
Elas chegam mesmo a dizer: este "tapa" eu quero repetir!
A terra dos trovadores, dos impressionistas, da chegada de Napoleão, da badalação de Cannes e Mônaco.
A terra do sim (Languedoc em provençal quer dizer "língua do sim") que disse sim a judeus, protestantes, mouros e aos cátaros. Massacrados pelo papado interesseiro na cruzada albingense.
Grandes azeites, inebriantes aromas, cores indescritíveis.
A terra onde nasceu a canção como nós, brasileiros, a apreciamos. Com a mulher idealizada. Certamente, o primeiro lugar onde a alma de Vinícius deve ter encarnado.
A pérola romana do além-alpes
A Fócia mercantil grega que um dia pediu socorro a Roma que passou a chamá-la de Provence
A terra do lilás e do amarelo, das cigarras e joaninhas, da lavanda e do mel.
Um outono colorido e maravilhoso que contarei em detalhes e fotos nos próximos posts
Infelizmente viagens como estas me enchem os olhos, estimulam o intelecto e esvaziam minhas reservas.
A mensagem subliminar que me foi transmitida no último dia a caminho do aeroporto pela imagem abaixo era a senha que faltava para que eu entendesse que, com o dia de finados, findavam também as minhas férias.
Morpheus foi negligenciado por alguns dias que englobaram também o dia do médico, do anestesiologista (que é mais que um médico!) e o do legista (02 de novembro).
Até mesmo o aniversário da Baía de Todos os Santos, a maior, mais linda e mais limpa (Tô falando da água!) das baías brasileiras, foi olvidado.
Nada não, Manellis tá ótimo! Para alegria dos amigos e desespero dos desafetos!
À beira da bancarrota, arrumarei a casa antes de voltar a postar regularmente.
Um abraço a quem passar por aqui e até o próximo post!

P.S. Brigadão Alexandre, por não deixar o 21 de outubro passar em branco!
Lembrei-me de você já no primeiro dia quando comi, como entrada, uma salada (camponesa) com figos, foie gras, alface e gésiers (moelas)!
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